Jefferson Matheus Ferreira Alves Barbosa Santiago, turista goiano sequestrado em Santiago com a namorada paraguaia e um amigo brasileiro, Joaquim Francisco Itacarambi Neto, durante uma barreira policial na última segunda-feira (26), disse que o grupo já está em Foz do Iguaçu e aguarda o contato com as autoridades para retornarem para Goiânia. “A imigração nos transportou até a ponte, pois falaram que tinham policiais brasileiros nos esperando no lado brasileiro. Mas ainda não tem ninguém. Então, estamos aqui na imigração de Foz.”
Eles não conseguiram recuperar os pertences. “Ainda não contatamos a família, queríamos sair logo. Estamos no escuro. Para pegar nossos pertences, íamos precisar ficar cinco dias.” Jefferson estima que eles tenham perdido cerca de R$ 6 mil.
Sobre o caso, Jefferson, a namorada e o amigo foram levados para uma unidade policial isolada após o sequestro. No local, o grupo sofreu tortura psicológica e foi forçado a enviar fotos algemados para familiares como forma de pressão por dinheiro. O esquema resultou na prisão do subchefe da Subcomissaria e de outros três policiais fardados.
A fuga deles ocorreu na terça-feira (27). De lá para cá, o grupo ficou em um hotel, mas foi para outro, ao lado da delegacia, por medo. Eles mesmos pagaram a estadia. A namorada de Jefferson também virá para o Brasil. Segundo a irmã do rapaz, Thaynara Santiago, “ela também está com medo”.
Caso
Segundo Jefferson, tudo começou quando o trio seguia viagem para Carmen del Paraná, onde a namorada iria visitar familiares. Em uma primeira barreira policial, os agentes teriam exigido propina. “Eles cobraram 1.150.000 guaranis para deixar a gente seguir”, relata. Na segunda abordagem, o carro foi liberado, mas na terceira barreira a situação mudou drasticamente. “Eles falaram que tinha cocaína dentro do carro e da mochila. Aí pegaram a gente e levaram à força. A gente não foi por vontade própria. Depois fomos descobrir que era uma delegacia na beira da rodovia”, contou.
No local, o grupo teria sido mantido algemado, em cárcere, durante toda a noite, enquanto os policiais exigiam dinheiro para não formalizar uma acusação de tráfico internacional. “Eles ficavam pedindo 10 mil dólares. Mandaram a gente tirar foto algemado e enviar para a família, pedindo dinheiro. Foi uma pressão psicológica absurda”, disse Jefferson.
Falso resgate virou flagrante
Sob a acusação de tráfico internacional, o grupo foi pressionado a pagar um valor para não ser formalmente autuado. “A gente estava sem entender nada. Do nada viraram a gente em traficante”, relatou Jefferson. Na manhã seguinte, ele conseguiu convencer dois policiais a levá-lo até um hotel em Ciudad del Este sob o argumento de buscar o dinheiro. “Um deles sacou uma faca, mas aceitaram me trazer”, disse.
No hotel, Jefferson aproveitou uma oportunidade para se afastar dos agentes e correu em direção à região da Ponte da Amizade, onde procurou ajuda das autoridades paraguaias. Em contato telefônico, indicou aos policiais que estaria retornando e, quando eles chegaram ao local, foram interceptados por uma equipe que realizou a prisão em flagrante.
A ação resultou na detenção de quatro integrantes da Subcomisaria Nº 047, entre eles o subchefe da unidade. Mesmo após as prisões, Jefferson afirma que o grupo segue sem acesso aos pertences e ao veículo alugado. “Eles levaram todo o dinheiro e não liberaram o carro”, disse. O grupo também relata dificuldades para compreender os documentos que estão sendo solicitados a assinar. “A gente não sabe o que está assinando. Estamos sem advogado e sem apoio consular”, afirmou mais cedo.
O Mais Goiás entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), com a Polícia Federal na região de fronteira e com o Gabinete de Assuntos Internacionais do Governo de Goiás para obter informações sobre a situação dos brasileiros.
Em nota, o Itamaraty informou que “o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral em Ciudad del Este, permanece à disposição para prestar assistência consular aos nacionais brasileiros”. O órgão esclareceu ainda que “o atendimento consular é prestado a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família” e que a atuação segue a legislação internacional e nacional. A pasta também afirmou que, por força da Lei de Acesso à Informação e do Decreto nº 7.724/2012, não divulga dados pessoais nem detalhes sobre a assistência prestada.
O Consulado-Geral do Brasil em Ciudad del Este informou que não houve notificação oficial da parte das autoridades paraguaias, mas foi acionado pelos próprios cidadãos brasileiros e prestou assistência consular ativa. Entre as medidas, foi realizada a “comunicação com autoridades paraguaias competentes; acompanhamento da repatriação dos nacionais”.
O consulado também confirmou o retorno ao Brasil. “Os cidadãos já retornaram ao Brasil, com escolta da Polícia Nacional paraguaia. O retorno aconteceu no início da tarde de hoje, 29 de janeiro de 2026, poucos minutos antes da redação desta mensagem.”