UnB desenvolve tecnologia para aproximar idosos de serviços digitais de saúde

UnB desenvolve tecnologia para aproximar idosos de serviços digitais de saúde
UnB desenvolve tecnologia para aproximar idosos de serviços digitais de saúde | Imagem: Divulgação

O projeto Digihealth Techkit

Para enfrentar o desafio que os serviços de saúde digitais representam para a população idosa, a Universidade de Brasília (UnB), com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), desenvolveu o projeto Digihealth Techkit. A iniciativa, voltada para adultos a partir de 45 anos e pessoas idosas do Distrito Federal, busca auxiliar no desenvolvimento de habilidades digitais para o cuidado com a própria saúde, reunindo aplicativo, e-book, conteúdos interativos, jogos educativos e códigos QR.

O projeto é coordenado pela professora Camila Alves Areda, do curso de Farmácia da UnB. Para ela, o investimento foi estratégico para aproximar a pesquisa das demandas da população. “O apoio da FAPDF foi fundamental para transformar a proposta em uma solução concreta, validada e adaptada à realidade da população do Distrito Federal. O fomento permitiu aprimorar a tecnologia, desenvolver materiais educativos, realizar testes com usuários reais e fortalecer a integração entre pesquisa, inovação e impacto social”, destaca Camila.

Para a professora, o investimento em projetos como o Digihealth Techkit demonstra a importância de políticas públicas de fomento à ciência, tecnologia e inovação. “A FAPDF teve um papel estratégico ao incentivar projetos que promovem inclusão digital, saúde e envelhecimento ativo”, afirma.

Educação e tecnologia

O nome do projeto combina Digihealth, ligado à saúde digital, e Techkit, que significa kit de ferramentas. Trata-se de um conjunto de recursos educativos para tornar o uso da tecnologia mais simples e acessível. A iniciativa é desenvolvida pela UnB, por meio da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde e da Universidade do Envelhecer (UniSER/UnB).

“O projeto surgiu porque percebemos que muitas pessoas idosas ainda enfrentam dificuldades para utilizar tecnologias que hoje fazem parte do acesso à saúde, como aplicativos, exames digitais e teleatendimento. Isso pode gerar exclusão, dependência e dificuldade no cuidado com a própria saúde”, explica a professora. Segundo Camila, a proposta busca aproximar esse público das soluções digitais de forma gradual.

Como funciona o Digihealth Techkit

O projeto propõe ferramentas educativas digitais voltadas ao desenvolvimento da literacia digital em saúde, que é a capacidade de usar tecnologias digitais para buscar informações confiáveis, acessar serviços e tomar decisões sobre o próprio cuidado.

“O Digihealth Techkit é um conjunto de ferramentas educativas digitais criado para ensinar, de forma simples e acessível, como utilizar tecnologias relacionadas à saúde. Na prática, a pessoa idosa aprende a acessar aplicativos, utilizar serviços digitais de saúde, consultar informações e desenvolver mais autonomia no cuidado com a própria saúde”, explica a coordenadora.

O aplicativo está em nível de maturidade tecnológica 7 (TRL 7), indicando um estágio avançado de desenvolvimento, com protótipo em funcionamento e testes em ambiente real. A ferramenta passa por aprimoramentos e avaliações com usuários antes de sua disponibilização para download.

Além do aplicativo, o projeto prevê a adaptação do e-book Digihealth BSB, estruturado a partir do conceito japonês Ikigai, associado à busca por propósito. No projeto, a ideia é aplicada à promoção de um envelhecimento ativo, relacionando saúde digital, autocuidado, aprendizagem e participação social.

Tecnologia pensada com e para pessoas idosas

Um dos diferenciais do projeto é o desenvolvimento de uma tecnologia centrada no usuário. O aplicativo e os materiais são pensados a partir das necessidades de pessoas que não tiveram contato frequente com tecnologias digitais. Para isso, a equipe trabalha com linguagem simples, navegação intuitiva e recursos visuais acessíveis.

A construção do projeto conta com a participação dos próprios usuários. A validação do protótipo envolve pessoas idosas da comunidade do Distrito Federal, incluindo participantes do Curso de Educador Político Social em Gerontologia, vinculado à UniSER/UnB. Esse processo permite que a equipe ajuste a linguagem e aprimore a experiência de navegação.

Para tornar o aprendizado mais dinâmico, o Digihealth Techkit utiliza recursos de gamificação, como desafios e atividades interativas. Também são usados códigos QR, que direcionam o usuário para conteúdos digitais. “Essas ferramentas tornam o aprendizado mais leve, prático e estimulante”, afirma a professora.

Envelhecimento inteligente e conexão internacional

O aplicativo dialoga com o conceito de envelhecimento inteligente (smart ageing), relacionado ao uso de tecnologias para promover independência e qualidade de vida. O Digihealth Techkit integra a versão brasileira da plataforma SMARTageCARE, um projeto internacional com origem na Universidade do Porto e na 4Humanz Consultancy and Research. A parceria com a UnB permite adaptar e traduzir soluções para o cenário brasileiro.

Mais segurança para cuidar da própria saúde

Entre os principais impactos esperados está o fortalecimento da autonomia da população idosa. Ao aprender a utilizar ferramentas digitais, a pessoa pode acessar exames, marcar consultas e buscar informações confiáveis.

“Esperamos mais autonomia, segurança e participação ativa no cuidado com a própria saúde. Quando o 60+ aprende a utilizar tecnologias digitais, ele consegue acessar serviços de saúde com mais facilidade, acompanhar informações importantes e se tornar menos dependente de terceiros”, ressalta Camila Alves.

A inclusão digital também tem impacto emocional e social. Ao dominar recursos tecnológicos, a pessoa idosa pode se sentir mais segura e integrada à sociedade, o que, para a coordenadora, contribui para fortalecer a autoestima e reduzir o sentimento de exclusão.

T LB
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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