O vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira Barbosa (PSD), ex-secretário municipal da Juventude, foi preso nesta quarta-feira (11) pela Polícia Civil por suspeita de ligação com o Comando Vermelho, a maior facção criminosa do estado.
A prisão faz parte da Operação Contenção Red Legacy, deflagrada pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, com o objetivo de desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, identificada como uma organização criminosa com características de cartel e atuação interestadual altamente estruturada.
Até o momento, seis criminosos foram detidos, incluindo o vereador. As investigações revelam tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico, visando transformar esses territórios em bases eleitorais. Segundo a polícia, Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como ‘Doca’, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, sob domínio do Comando Vermelho.
Em contrapartida, o parlamentar teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados como ações para a população local. Um exemplo é a instalação recente de quiosques na região, cuja definição de beneficiários foi determinada por integrantes da facção, sem processo público transparente.
A assessoria do vereador informou que o gabinete não recebeu qualquer informação oficial sobre o ocorrido e que a assessoria jurídica foi acionada para aguardar esclarecimentos das autoridades.
As apurações também identificaram a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o ‘Marcinho VP’, um dos principais líderes históricos da facção. Sua esposa, Márcia Gama, atua na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, enquanto o sobrinho Landerson serve como elo entre lideranças e atividades econômicas da organização. Ambos não foram localizados e são considerados foragidos.
A investigação aponta uma estrutura criminosa complexa, com conselho nacional, conselhos regionais e articulação entre estados, inclusive indícios de cooperação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Mesmo preso há quase três décadas, Marcinho VP continua exercendo papel central na liderança do conselho federal permanente do grupo.
Outros integrantes identificados incluem o traficante Doca, como principal liderança nas ruas; Luciano Martiniano da Silva, o ‘Pezão’, responsável pela gestão financeira; e Carlos da Costa Neves, o ‘Gardenal’, encarregado de operacionalizar determinações da liderança.
Durante as investigações, foram encontrados casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, como vazamento de informações. A Polícia Civil ressalta que essas condutas não representam a maioria dos profissionais de segurança pública.
As apurações seguem em andamento para responsabilizar todos os envolvidos e combater as estruturas financeiras e operacionais da organização.