A Polícia Federal cumpriu, nesta terça-feira (23), mandados da Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de fraude financeira envolvendo o Banco Digimais. A apuração teve início após uma comunicação encaminhada pelo Banco Central às autoridades federais e busca esclarecer indícios de irregularidades que teriam sido utilizadas para mascarar um déficit bilionário nas contas da instituição.
De acordo com os investigadores, a suspeita é de que fundos de investimento ligados ao banco tenham sido utilizados para inflar artificialmente o valor de ativos financeiros. A estratégia teria servido para melhorar a situação patrimonial da instituição e permitir novas operações de captação de recursos no mercado. A PF também solicitou à Justiça o bloqueio de bens e valores de investigados, entre eles o empresário e líder religioso Edir Macedo, controlador do banco.
Entre os alvos das medidas judiciais estão executivos da instituição financeira, incluindo o bispo João Urbaneja, apontado como um dos principais responsáveis pela gestão do banco, além de seu filho, Thiago Urbaneja. Proprietários do Grupo ID, empresa responsável pela administração de fundos relacionados ao Digimais, também foram incluídos na investigação. Edir Macedo não foi alvo de buscas porque reside atualmente fora do país.
Segundo a Polícia Federal, após a mudança de controle da instituição, o banco concentrou suas operações nos segmentos de crédito consignado e financiamento de veículos. A investigação aponta que, diante do agravamento da situação financeira, teria ocorrido uma supervalorização sistemática de ativos mantidos em fundos administrados pela corretora ligada ao grupo, com o objetivo de ocultar perdas e sustentar a emissão de títulos financeiros. Os investigados ainda não haviam se manifestado oficialmente sobre as acusações até a última atualização do caso.