O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) alertou para o aumento da exposição da população à publicidade de apostas online durante a Copa do Mundo. Segundo a entidade, a paixão pelo futebol pode ser usada como ferramenta de manipulação a serviço das chamadas bets, atingindo não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade.
O alerta foi feito após a divulgação de uma pesquisa da Softswiss, empresa multinacional de tecnologia para plataformas de jogos online sediada em Malta. O levantamento aponta que a Copa deste ano pode incrementar em pelo menos 50% o volume global de apostas esportivas em comparação com a edição anterior, em 2022. Em termos financeiros, isso significa uma movimentação potencial de cerca de US$ 52 bilhões, ante os cerca de US$ 35 bilhões registrados quatro anos antes.
A Fifa ampliou o formato da competição na edição de 2026, passando de 32 equipes, em 2022, para 48, e de 64 partidas para 104 neste ano. Segundo estimativas do setor, os apostadores brasileiros podem responder por aproximadamente 10% do volume global de apostas, participação que pode crescer caso a seleção chegue às fases decisivas.
Dados do Placar das Bets, plataforma de monitoramento criada pela empresa de análise de dados Klavi com base em dados públicos do sistema financeiro, indicam que, desde 9 de junho, os brasileiros já gastaram cerca de R$ 530,21 milhões em casas de apostas. O levantamento não traz números comparativos sobre a Copa de 2022, mas mostra que, até o início do evento deste ano, cada apostador brasileiro havia gasto, em média, R$ 188; nesta quinta-feira (25), o valor chegou a R$ 242.
Para o Idec, o crescimento das apostas esportivas reforça preocupações sobre os impactos da expansão das bets no Brasil, legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023. A entidade afirma que a prática causa danos sociais e à saúde pública e defende que o Supremo Tribunal Federal declare inconstitucionais as leis que permitiram os jogos e apostas online. O instituto também considera insuficientes as regras atuais de publicidade e critica a naturalização das apostas por meio de campanhas massivas, influenciadores digitais, atletas, clubes e plataformas.
Na avaliação do professor Ahmed El Khatib, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a ligação emocional com o futebol e outros esportes vem sendo instrumentalizada para incentivar apostas. Ele afirma que grandes eventos despertam muitas emoções e podem levar até quem normalmente não aposta a participar, em meio à ilusão de controle e à superestimação da capacidade de prever resultados. O professor também defende campanhas permanentes de educação financeira, regras mais rígidas para a publicidade e medidas de proteção aos apostadores, como limites, monitoramento de comportamento compulsivo e maior transparência das plataformas. As informações foram retiradas da Agência Brasil.