Entre Haaland e o medo: Brasil encara a Noruega sem olhar para o retrovisor

Entre Haaland e o medo: Brasil encara a Noruega sem olhar para o retrovisor

 Brasil terá pela frente um adversário que merece respeito, mas não temor. A Noruega vive um excelente momento, embalada pelos gols de Haaland, um dos atacantes mais letais do futebol mundial. É um centroavante capaz de decidir partidas em um único lance e, por isso, naturalmente exige atenção. Mas uma coisa é reconhecer a qualidade do rival; outra, bem diferente, é tratá-lo como um bicho-papão.

Curiosamente, esse roteiro parece se repetir a cada fase da Copa. Foi assim antes do confronto contra o Japão. Agora é a Noruega. E provavelmente será o próximo adversário, seja quem for. Sempre aparece uma estatística, um tabu ou uma narrativa para transformar o rival em um gigante quase imbatível.

No caso dos noruegueses, o argumento da vez é que o Brasil jamais venceu a Noruega, nem em amistosos nem em partidas oficiais. É verdade. Mas esse retrospecto precisa ser colocado em perspectiva. A Noruega disputou apenas quatro Copas do Mundo em toda a sua história — 1938, 1994, 1998 e agora, em 2026 — e sua melhor campanha foi justamente em 1998, quando venceu o Brasil por 2 a 1 na fase de grupos e acabou eliminada nas oitavas de final. Já a Seleção Brasileira é a única do planeta que, neste século, alcançou as oitavas de final em todas as edições da Copa do Mundo, além de carregar um currículo de cinco títulos mundiais. A história das duas seleções simplesmente não está no mesmo patamar.

Só que Copa do Mundo não se ganha olhando para o retrovisor. O que vale é o presente. E o Brasil dá sinais claros de evolução. Aos poucos, Carlo Ancelotti parece encontrar a formação ideal, e a equipe começa a adquirir identidade dentro do próprio torneio. Isso não acontece com frequência, mas, quando uma seleção cresce durante a Copa, costuma se transformar em uma candidata muito mais forte do que parecia na estreia.

Se existe hoje uma seleção que realmente impressiona é a França, que deixou uma impressão fortíssima na atuação diante da Suécia. Ainda assim, nem elas entram em campo com vitória garantida. Esta Copa do Mundo já mostrou que favoritos também tropeçam. E talvez essa seja justamente a maior lição do torneio: respeitar todos os adversários, mas não ter medo de nenhum deles.

T CSM

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