Israel recorda, nesta quinta-feira (2), o milésimo dia desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, em meio a persistentes divisões internas e à contínua rejeição, por parte do governo de Benjamin Netanyahu, aos apelos pela criação de uma comissão estatal de inquérito.
Uma série de eventos e protestos contra a condução do governo em relação ao ataque e aos meses subsequentes está programada para ocorrer em todo o país.
A primeira cerimônia aconteceu às 6h29 (0h29 de Brasília), o horário exato em que o movimento islamista palestino lançou o ataque contra Israel que desencadeou a guerra em Gaza.
Dina Hertz, moradora de Jerusalém, lamenta que, mil dias depois, ainda estejam “presos nessa situação e nada foi feito para virar a página”.
A ofensiva de retaliação de Israel em Gaza deixou mais de 73.000 mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do governo liderado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
Bairros inteiros no enclave palestino foram devastados, deixando casas, hospitais, escolas e redes de abastecimento de água em ruínas. Para sobreviver, a grande maioria dos dois milhões de habitantes de Gaza teve que se deslocar várias vezes ao longo dos dois anos de conflito, em meio a uma enorme crise humanitária.
As forças israelenses ocupam atualmente quase 70% do território da Faixa, segundo autoridades locais.
Desde que um cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro do ano passado, pelo menos 1.059 palestinos morreram em Gaza, segundo a mesma fonte. No mesmo período, o Exército israelense relatou a morte de cinco soldados e de um prestador de serviços.
– “Um dia de fúria” –
A Praça dos Reféns de Tel Aviv, que se tornou um símbolo fundamental da campanha pela libertação dos reféns durante a guerra em Gaza, será renomeada como “Praça da Memória”.
Na praça, sob o sol escaldante, uma menina tocava um piano coberto de adesivos em homenagem às vítimas e aos soldados mortos em combate.
“É um dia de lágrimas, um dia de fúria, um dia de raiva e, acima de tudo, um dia de luto”, disse Eyal Eshel, cuja filha, uma soldado, foi morta em 7 de outubro.
“Há mil dias que contamos, e continuaremos contando, até que uma comissão estatal de investigação seja instaurada e até que este governo deixe o poder”, acrescentou.
O “Comitê de Outubro”, uma organização fundada pelas famílias das vítimas e reféns do 7 de outubro, pediu no X a criação imediata de uma comissão estatal de investigação.
Pesquisas indicam que a grande maioria dos israelenses, de todo o espectro político, apoia a criação de um órgão para determinar a responsabilidade das autoridades pela falha em impedir o ataque do Hamas.
No entanto, o governo de Benjamin Netanyahu negou repetidamente criar essa comissão, embora Israel já tenha utilizado esse mecanismo no passado para investigar graves falhas do Estado.
Netanyahu, o chefe de Governo que ocupou o cargo por mais tempo na história do Estado de Israel, tem enfrentado duras críticas na imprensa local. Ele é acusado de reescrever a história ao afirmar, por exemplo, que garantiu o retorno de “todos os nossos reféns”, sem especificar que 42 deles morreram em Gaza.
Uma pesquisa recente mostrou que a maioria dos israelenses quer que ele deixe o cargo.