Moradores no centro de São Paulo, Victor Mallavazi, 31, e Fernanda Frazaon, 29, resolveram fazer um passeio diferente no feriado desta quinta-feira, 9 de julho, data que marca a Revolução Constitucionalista. Foram conhecer a linha 17-ouro do metrô de São Paulo.
“Aproveitamos o dia de folga para conhecer aqui e vamos tomar um café no aeroporto de Congonhas”, disse a servidora, elogiando a vista da plataforma da estação Morumbi, onde os dois iniciaram o passeio.
Inaugurado em 31 de março, o monotrilho da zona sul paulistana virou atração turística em feriados, como no desta quinta.
Uma funcionária da estação Morumbi, uma das pontas da linha, afirmou que no início havia até aglomeração de gente por causa da novidade.
Segundo o gerente de operações do Metrô, Milton Silva Júnior, em média, cerca de 3.500 passageiros passam pela linha diariamente. Em feriados, o número salta para 5.000 pessoas. São paulistanos que vão até lá conhecer a nova atração turística.
A Folha percorreu o ramal do Morumbi até o aeroporto de Congonhas e fez o caminho de volta no feriado desta quinta. Nos dois sentidos, a maioria das pessoas nos vagões não usava o trem para deslocamento, mas para passear de monotrilho.
Famílias numerosas aproveitaram a manhã ensolarada, apesar do friozinho, para fazer o percurso de graça entre as oito estações da linha 17 até outubro, quando acaba a operação assistida e de testes, não é cobrada passagem dos usuários. Por enquanto, o horário de funcionamento é das 9h às 16h e os trens não circulam aos sábados e domingos.
“Tem muita beleza em São Paulo”, disse a artista plástico Lenita Ribeiro, 63, enquanto olhava a paisagem da janela do trem. Nascida no Rio, a mulher divide seu tempo entre a capital paulista e Bertioga, no litoral do estado, onde trabalha em uma feira de artesanato.
Ela afirmou ter aproveitado a manhã livre para conhecer o monotrilho e aprender como chegar de metrô ao aeroporto.
A cerca de 15 metros de altura, o visual se transforma ao longo dos 6,7 km da linha. Dos janelões do trem se observa a marginal Pinheiros, os prédios espelhados das regiões de Campo Belo e Brooklin, e até favelas espremidas entre os enormes edifícios comerciais.
Foco principal das câmeras dos celulares é a ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira, que o trem passa ao ao lado. “É naquela janela que fazem o jornal”, disse o supervisor Vicente Oliveira, 49, a um dos estúdios da sede da TV Globo.
Funcionário do Metrô há 14 anos, Oliveira era o operador da composição nesta quinta o trem é autônomo, mas ao menos até outubro terá sempre um condutor no comando.
Informalmente, fazia a função de guia da linha, explicando as características do trem fabricado na China. Passageiros curiosos se aglomeravam ao seu redor.
Entre eles estava o pequeno Arthur, de 1 ano, que estava no primeiro banco. Bruno Batista, que trabalha com tecnologia de Informação, e a enfermeira Flávia Reis, 29, levaram o bebê passear na linha 17-ouro porque, segundo eles, o garoto é apaixonado por trens.
“Moramos no Jabaquara [zona sul] e ele vê do apartamento o pátio e o metrô saindo”, afirma Flávia.
Funcionários do Metrô levaram filhos e parentes para o ramal. É o caso da engenheira Patrícia Costa Domingo, 39, que reuniu cerca de 20 pessoas da família, entre tios e primos, para conhecer o resultado da obra onde trabalhou. No seu grupo havia de idosos a crianças. Assim que entraram correram para a ponta do trem (que não tem divisórias entre os vagões) para ver os trilhos elevados.
“É uma paisagem muito bonita”, diz Carlos Antonio Costa, 73, tio da engenheira.
Novo xodó dos paulistanos, a linha deve crescer. Na próxima terça-feira (14) está previsto o pregão para licitação para adequação do projeto básico de expansão, que está parado há mais de uma década.
O prolongamento da linha deve ir até a favela de Paraisópolis, com três estações. Do outro lado, será construída a estação Vila Paulista, depois da atual Washington Luís
A linha 17-ouro foi aberta ao público com 12 anos de atraso havia sido prometida para a Copa do Mundo de 2014.
Atualmente administrado pelo Metrô, o ramal faz parte do contrato de concessão com a ViaMobilidade, do grupo Motiva, junto com a linha 5-lilás. Mas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sinalizou que pretende manter a linha com a empresa estatal.
Na semana passada foi inaugurada a última das oito estações da primeira fase, a Washington Luís.
O monotrilho em via elevada da zona sul paulistana foi construído em sistema em Y: ou seja, o ramal não vai de uma ponta a outra, há uma ramificação no caso, para a Washington Luís. Isso é inédito no metrô de São Paulo.
Para acessar a estação Washington Luís, o passageiro terá de fazer transferência na vizinha Brooklin Paulista.
O mesmo vale para quem sai dessa estação e vai para as demais paradas da linha. Ou seja, é preciso trocar de trem na Brooklin Paulista.
Três trens rodarão ao mesmo tempo, um em cada sentido de ida e volta entre as estações Morumbi e Aeroporto de Congonhas e um terceiro entre Brooklin Paulista e Washington Luís.
Quando a operação estiver plena, os trens circularão em formato de carrossel em toda a linha.
O intervalo oscila atualmente entre 7 minutos e 8 minutos, mas a meta é reduzi-lo para 3 minutos quando a linha funcionar com sua capacidade máxima. O tempo médio de viagem hoje é de 17 minutos.