A Polícia Civil concluiu que o incêndio que destruiu a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em Nerópolis na noite de segunda-feira (14) foi provocado de forma acidental por velas acesas por uma família católica durante o pagamento de uma promessa. Ao Mais Goiás, o delegado regional André Fernandes afirmou que, “Não há indícios de ataque religioso e o inquérito deverá ser encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário com sugestão de arquivamento”.
A conclusão aconteceu cerca de 20 horas após a instauração do inquérito, período em que os policiais reuniram imagens, identificaram os responsáveis por acender as velas e colheram depoimentos. Conforme a apuração, as provas reunidas esclarecem a origem do incêndio.
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A investigação apontou que a família esteve no monumento na noite de terça-feira (14) para agradecer uma graça alcançada. Durante a visita, os fiéis acenderam velas na parte de trás da imagem, local onde, segundo a Polícia Civil, é comum que devotos façam orações e deixem velas acesas. Em seguida, eles deixaram o local.
Imagem de Nossa Senhora Aparecida era inflamável
Horas depois, a família soube que o incêndio havia começado exatamente no ponto onde as velas foram acesas. Imagens registradas por pessoas que passavam pela região ajudaram a confirmar a origem das chamas, conforme informou a autoridade policial.
Na tarde de quarta-feira (15), os investigadores estiveram na residência da família. Os moradores confirmaram que haviam acendido as velas e disseram desconhecer que o material utilizado na estrutura da imagem era inflamável. “A família é católica, a promessa foi feita à santa e eles também sabiam que outros fiéis costumavam acender velas no local”, afirmou André Fernandes.
Apesar de considerar o caso esclarecido, o delegado informou que o inquérito permanecerá em andamento por mais sete dias para a conclusão dos procedimentos formais. Depois disso, o material será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. “O caso está resolvido e não há conotação de ataque religioso. A Polícia Civil vai sugerir o arquivamento do inquérito, mas caberá ao Ministério Público e ao Poder Judiciário analisarem o procedimento”, declarou.
De promessa pessoal a cartão-postal em Nerópolis
A imagem era considerada um dos principais cartões-postais de Nerópolis. Construída com recursos próprios pelo ex-prefeito Wilmar Teixeira como forma de agradecimento por uma graça alcançada, a estátua foi inaugurada em 2006. A peça, esculpida em fibra de vidro por um artesão conhecido em Goiânia e na região metropolitana, tinha cerca de 10 metros de altura e custou aproximadamente R$ 12 mil.
À época, a construção chegou a ser alvo de denúncias de favorecimento ao catolicismo e de que teria sido bancada com dinheiro público. Localizada às margens da GO-080, a obra teve os pagamentos comprovadamente feitos pelo então prefeito. “Era uma promessa pessoal e fui eu quem pagou”, afirmou Wilmar em entrevista exclusiva ao Mais Goiás. Ele também se colocou à disposição para ajudar nos custos de uma nova imagem.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a fibra de vidro é um material de alta propagação de chamas, o que contribuiu para que toda a estrutura fosse consumida pelo fogo.