Corinthians, Santos e Botafogo lidam com transfer ban ativo antes da janela

Corinthians, Santos e Botafogo lidam com transfer ban ativo antes da janela

Corinthians, Santos e Botafogo estão impedidos de registrar novos jogadores por causa de transfer bans aplicados pela Fifa. O trio representa 15% dos 20 participantes da Série A do Campeonato Brasileiro.

Embora apenas três clubes estejam punidos, há pelo menos cinco bloqueios ativos. Corinthians e Botafogo acumulam dois transfer bans cada, enquanto o Santos responde por uma restrição. Os casos envolvem atrasos no pagamento de contratações internacionais e multas administrativas impostas pela Fifa.

Com as punições, os clubes podem negociar com reforços, mas eles só podem ser registrados após a regularização das pendências que motivaram os bloqueios.

As restrições acontecem em meio a dificuldades de fluxo de caixa enfrentadas pelos clubes. Além das dívidas com outras equipes, há pendências salariais com jogadores e funcionários.

CORINTHIANS É ALVO DE DUAS SANÇÕES

O Corinthians recebeu nesta segunda-feira um segundo transfer ban. A nova punição foi aplicada pelo não pagamento de multas impostas pela Fifa em processos anteriores.

Os valores em aberto somam aproximadamente US$ 200 mil, pouco mais de R$ 1 milhão na cotação atual. O bloqueio não tem prazo determinado e será retirado apenas após a quitação da dívida.

O novo bloqueio se soma ao transfer ban em vigor desde 21 de maio. A punição foi aplicada por causa de uma dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez, em 2024.

Esse transfer ban prevê o impedimento de registrar jogadores por três janelas de transferências. A punição, porém, pode ser encerrada caso o Corinthians quite a dívida ou firme um acordo com o Philadelphia Union.

A contratação de José Martínez foi fechada por aproximadamente US$ 1,8 milhão. O Corinthians pagou apenas US$ 200 mil como entrada e deixou de quitar as parcelas seguintes, acumulando uma dívida próxima de US$ 1,5 milhão.

Diante da inadimplência, o Philadelphia Union acionou a Fifa e obteve decisão favorável. O caso resultou no transfer ban que segue em vigor.

Martínez já não faz parte do elenco corintiano. O volante rescindiu contrato no início deste ano após retornar com atraso das férias e ser diagnosticado com uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.

O Corinthians ainda corre o risco de sofrer um terceiro transfer ban. O Midtjylland, da Dinamarca, venceu no CAS (Corte Arbitral do Esporte) uma disputa relacionada ao não pagamento da última parcela da contratação do volante Charles, também em 2024.

O clube dinamarquês cobra cerca de 1 milhão de euros, além de multas e juros. Como o prazo para pagamento expirou, a Fifa já pode aplicar uma nova punição ao Corinthians.

O Corinthians também responde a uma cobrança do Grupo City referente aos empréstimos do atacante Talles Magno entre 2024 e 2025. A dívida gira em torno de US$ 2,35 milhões.

O valor é composto por US$ 1,5 milhão referentes ao não exercício da opção de compra e outros US$ 850 mil relacionados à renovação do empréstimo. O Grupo City obteve decisão favorável na Fifa, mas o Corinthians recorreu, e o caso será analisado em última instância pelo CAS.

Todos esses negócios foram fechados durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo. O dirigente sofreu impeachment em agosto do ano passado em meio a uma investigação da Polícia Civil que o tornou réu por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado.

BOTAFOGO TAMBÉM MANTÉM DOIS TRANSFER BANS

O primeiro transfer ban ativo do clube carioca é referente à dívida pela contratação de Jordan Barrera junto ao Junior Barranquilla, da Colômbia. O atacante chegou ao clube em 2025, em operação de US$ 4 milhões (R$ 22,2 milhões na cotação da época).

Assim como no caso Corinthians, a segunda sanção foi aplicada pelo não pagamento de multas administrativas da Fifa.

O Botafogo chegou a ter seis punições ativas, mas elas caíram aos poucos a partir da oficialização da recuperação judicial e do acionamento de um gatilho junto à Fifa que já favoreceu o Vasco. Quando o clube em questão está em recuperação judicial, os débitos são inseridos no parcelamento. A Fifa, então, derruba a punição pelos atrasos de pagamentos.

Como o Botafogo tem obtido sucesso nas alegações para derrubar transfer bans, a diretoria tem expectativa de conseguir ficar livre em breve para registrar novos jogadores.

MEIA REBAIXADO É PIVÔ DE DÍVIDA DO SANTOS

O transfer ban sofrido pelo Santos é referente a uma dívida que o clube tem com o Monaco, da França, por causa da aquisição do meio-campista Jean Lucas, realizada em julho de 2023. À época, o negócio foi sacramentado por 6 milhões de euros (pouco mais de R$ 31 milhões na cotação daquele período), divididos em três parcelas de 2 milhões de euros.

A terceira parcela da compra, que vencia em 31 de janeiro de 2025, não foi depositada ao clube francês.

As duas primeiras prestações, previstas para agosto de 2023 e junho de 2024, foram quitadas normalmente.

O transfer ban passou a vigorar em 1º de julho e prevê o bloqueio de até três janelas de transferências consecutivas para o Santos. A punição só será derrubada caso o Peixe pague o Monaco à vista, já que o clube deixou claro aos dirigentes santistas que não pretende renegociar o valor ou aceitar um novo parcelamento.

A dívida, considerando juros e multas, é de 2,032 milhões de euros (pouco mais de R$ 12,1 milhões na cotação atual).

Contratado para ser uma das principais peças do elenco na luta contra o rebaixamento em 2023, Jean Lucas acabou marcado pela queda inédita do Santos e foi vendido ao Bahia no início de 2024, onde se destaca sob o comando de Rogério Ceni.

Além do problema com o Monaco na Fifa, o Santos enfrenta pendências financeiras internas com o atual elenco profissional. O clube deve dois meses de direitos de imagem aos atletas, além dos salários em regime CLT referentes ao mês de junho.

Nos bastidores, o discurso da cúpula alvinegra é de priorizar o fluxo de caixa para quitar os vencimentos atrasados dos jogadores e funcionários. Somente após a normalização da folha salarial é que a diretoria pretende buscar novos recursos no mercado para liquidar a dívida com o clube francês e encerrar o transfer ban.

PROBLEMAS DE CAIXA LIGAM OS TRÊS CASOS

Embora tenham origens diferentes, os transfer bans de Corinthians, Santos e Botafogo têm um ponto em comum: dificuldades para cumprir compromissos financeiros assumidos em contratações internacionais. As pendências resultaram em bloqueios aplicados pela Fifa e impedem o registro de novos jogadores.

Corinthians e Santos também enfrentam atrasos em pagamentos internos. Os dois clubes afirmam priorizar a regularização de salários, direitos de imagem e vencimentos de funcionários antes de destinar novos recursos às dívidas que motivaram as punições.

O Botafogo, por sua vez, adotou outro caminho: a SAF incluiu as cobranças na recuperação judicial e tenta obter junto à Fifa a suspensão das restrições esportivas enquanto executa o plano de pagamento.

T CSM

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