A Câmara dos Deputados deve registrar uma das menores taxas de renovação das últimas eleições. Um levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que 87,32% dos deputados federais pretendem disputar um novo mandato em 2026.
O índice supera o registrado em 2022 e representa o maior percentual da série histórica acompanhada pela entidade. Dos 513 deputados, 448 já indicaram que pretendem concorrer novamente ao cargo.
O número ainda pode crescer. Caso deputados indecisos e parlamentares que avaliam disputar uma vaga no Senado desistam da mudança de cargo, o total pode chegar a 495 candidatos à reeleição.
A taxa de 2026 supera os 86,93% registrados na eleição de 2022. O percentual também fica acima dos índices das eleições anteriores. Em 2018, 75,43% dos deputados buscaram um novo mandato. Quatro anos antes, o índice chegou a 79,33%. Já em 2010, 86,16% dos parlamentares tentaram permanecer na Câmara.
O Diap elaborou o levantamento a partir de pesquisas, consultas a sites, contatos com candidatos e dirigentes partidários. A entidade também considerou os arranjos políticos locais para identificar as intenções eleitorais. O cenário, porém, só terá confirmação após o registro oficial das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Emendas parlamentares ampliam força eleitoral de deputados
Para o Diap, o volume de recursos destinados aos deputados ajuda a explicar a disposição para buscar mais um mandato.
Neuriberg Dias, diretor da entidade, afirma que as emendas parlamentares ganharam peso expressivo nos últimos anos. Esse fator, segundo ele, amplia a capacidade dos deputados de manter presença nas bases eleitorais.
“Os parlamentares praticamente quintuplicaram o valor que tinham disponivel de emendas parlamentares. O que cada deputado tinha em torno de R$ 10 a 15 milhões ao ano aumentou para R$ 50 milhões. Isso é um fator que vai pesar muito neste índice de baixa renovação”, disse Neuriberg Dias.
A maior disponibilidade de recursos fortalece a atuação dos parlamentares em seus redutos eleitorais. Assim, deputados que já ocupam cadeiras na Câmara entram na disputa com estruturas políticas consolidadas.
Cláusula de barreira favorece partidos maiores na Câmara
O levantamento também aponta dificuldades para legendas menores. O endurecimento das regras eleitorais e o avanço da cláusula de barreira podem aumentar a concentração de cadeiras entre partidos maiores.
Nesse cenário, União-PP, PT e PL aparecem com perspectiva de formar as maiores bancadas da próxima legislatura. Republicanos e PSD surgem na sequência.
A composição da Câmara também tende a preservar o espaço de grupos com atuação organizada dentro do Congresso. Entre eles, aparecem as bancadas ruralista, da segurança pública e evangélica.
Centro-direita e Centrão devem manter força na Câmara
O cenário traçado pelo Diap aponta ainda para a permanência de parlamentares tradicionais e experientes na Câmara.
A força da centro-direita e do Centrão deve continuar entre os principais fatores da composição da Casa. Ao mesmo tempo, as bancadas informais devem manter influência nas votações e na formação das maiorias.
Para Neuriberg Dias, os partidos também têm interesse em preservar candidaturas que já demonstraram capacidade eleitoral.
“Por ter preferência aos recursos do partido, mesmo durante o mandato está sempre em campanha nas bases, ele é visto com mais frequência. Assim, os partidos vão optar por jogar o jogo com o time que está dando resultado já que é mais garantido”, afirmou Neuriberg.