CRE aprova protocolo que fortalece defesa da democracia no Mercosul

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou o Protocolo de Montevidéu sobre Compromisso com a Democracia no Mercosul, conhecido como Ushuaia II. Relatado pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o texto segue para análise do Plenário.

Assinado em 2011, o protocolo complementa as regras estabelecidas pelo Protocolo de Ushuaia, de 1998, e amplia os mecanismos de prevenção e de resposta a situações que possam ameaçar ou interromper a ordem democrática nos países participantes. Segundo o parecer, essa é uma das principais diferenças em relação ao texto anterior, cuja aplicação está associada a casos de ruptura da ordem democrática.

Entre as medidas previstas estão consultas às autoridades do país afetado e iniciativas diplomáticas para preservar ou restabelecer a democracia. Caso essas medidas não tenham resultado ou as autoridades estejam impedidas de participar, os demais países poderão decidir, por consenso, outras providências. O protocolo também prevê a suspensão do direito de participação do país afetado nos órgãos do Mercosul e de direitos e benefícios decorrentes do Tratado de Assunção e de outros acordos de integração.

Também poderão ser adotadas medidas relacionadas às fronteiras, ao comércio, ao tráfego aéreo e marítimo, às comunicações e ao fornecimento de energia, serviços e abastecimento. As providências deverão ser proporcionais à gravidade da situação e não poderão colocar em risco o bem-estar da população nem o exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. O texto determina ainda respeito à soberania e à integridade territorial do país afetado, à situação dos países sem litoral marítimo e aos tratados em vigor.

O Ushuaia II também permite que o governo constitucional de um país que considere sua ordem democrática ameaçada peça colaboração aos demais participantes. Com a solicitação e o consentimento desse governo, poderão ser criadas comissões de apoio, cooperação e assistência técnica, além de grupos destinados a acompanhar mesas de diálogo entre representantes políticos, sociais e econômicos.

Essas comissões poderão contar com integrantes do Parlamento do Mercosul, dos parlamentos nacionais, do Parlamento Andino, além de representantes governamentais e do Alto Representante-Geral do Mercosul. Segundo Nelsinho Trad, que preside a CRE, o protocolo amplia a atuação preventiva do Mercosul diante de ameaças à ordem democrática.

A entrada em vigor do novo protocolo depende da ratificação de quatro países do Mercosul. De acordo com o parecer, Argentina e Uruguai já ratificaram o texto, enquanto o Brasil está na etapa de aprovação legislativa e o Paraguai ainda não o ratificou. Até que o Ushuaia II entre em vigor, as relações entre os países que ainda não o ratificaram continuam regidas pelo Protocolo de Ushuaia de 1998.

O projeto determina ainda que atos que revisem o protocolo e ajustes complementares que imponham encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional deverão ser submetidos à aprovação do Congresso Nacional.

T CSM
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