Inflação desacelera em julho, mas preço de serviços ainda preocupa

Rio e São Paulo, 11 – Indicador oficial da inflação no País, o IPCA teve variação de 0,07% em julho, ante 0,16% em junho, na menor taxa para o mês desde 2022 (quando houve deflação de 0,68%). Com o resultado, o índice passou a acumular alta de 3,44%, no ano, e de 4,44% nos últimos 12 meses – voltando a ficar abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central (de 4,5%).

Segundo o gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves, o resultado de julho refletiu uma combinação de quedas em itens relevantes como alimentos e combustíveis e pressão concentrada em energia elétrica. Pelos dados do IBGE, o grupo Habitação acelerou de junho (0,63%) para julho (0,99%), puxado pela alta da energia elétrica residencial, que saiu de 1,53% para 3,09%. Foi o principal impacto individual no mês (0,13 ponto porcentual).

Em contrapartida, o grupo Alimentação e Bebidas ficou negativo em 0,67%, por influência da alimentação no domicílio (-1,14%). Tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%) foram destaque, segundo o IBGE. Houve também recuo nos preços de combustíveis: -2,26% no etanol; -1,37% na gasolina, -1,22% no óleo diesel e -0,08% no gás veicular. Pelas contas de Gonçalves, a inflação teria ficado em 0,27% se fosse descontada a queda em Alimentação e Bebidas. “Foi um cabo de guerra.”

O número geral de julho ficou pouco acima do esperado pelo mercado. Pesquisa do Projeções Broadcast apontava para a mediana de 0,03%. A leitura da maioria dos analistas foi de que o dado não muda o diagnóstico central de desinflação gradual no curto prazo, embora o IPCA tenha apresentado um “qualitativo” pouco pior na margem, sobretudo por serviços – que acumula alta de 5,86% nos últimos 12 meses.

Para Leonardo Costa, economista do ASA, essa piora marginal não altera a tendência recente. “O balanço qualitativo pouco pior na margem não invalida a leitura de melhora da inflação no curto prazo, mas deve reduzir o ímpeto de otimismo em torno das recentes revisões baixistas para o IPCA de 2026”, disse ele.

Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, também chamou atenção para a perda de qualidade em núcleos e serviços. “Os serviços totais e subjacentes mostraram piora qualitativa, situando-se no teto das expectativas do mercado.” Segundo ela, o resultado foi impulsionado por itens como alimentação fora do domicílio, reparo de veículos e transporte por aplicativo.

Na mesma linha, o Bradesco avaliou que “a deflação de alimentos e a queda dos combustíveis compensaram apenas parcialmente a surpresa de serviços”, citando que a alimentação no domicílio recuou 1,14%, com queda de 6,33% em produtos in natura e carnes praticamente estáveis.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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