Gilmar Mendes acumula atritos com a Justiça do Trabalho em casos de flexibilização de contratos

A expansão de modelos de trabalho sem carteira assinada abriu uma disputa cada vez mais explícita entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Justiça do Trabalho sobre os limites para reconhecer vínculos empregatícios no país. No centro do embate está o ministro Gilmar Mendes, relator do processo que deve estabelecer uma regra nacional para a chamada pejotização e autor de sucessivas decisões críticas à atuação dos tribunais trabalhistas.

Nesta quarta-feira (12), o decano acrescentou um novo capítulo ao embate ao classificar como “tese alarmista”. a ideia de que a validação da flexibilização do trabalho por meio da chamada “pejotização” comprometeria o caixa da previdência.

“O argumento parte de um mito: o de que a Previdência se financiaria apenas com contribuições sobre a folha de salários. A própria Constituição, em seu artigo 195, prevê que a seguridade social seja financiada por toda a sociedade, a partir de bases diversas: a folha, sim, mas também a receita, o faturamento, o lucro e as importações. É um modelo plural e solidário de custeio”, afirmou.

A nova manifestação de Gilmar se insere em um embate mais amplo porque rebate um dos argumentos utilizados contra a pejotização justamente enquanto ele relata o processo que definirá tanto a validade dessas formas de contratação quanto o poder da Justiça do Trabalho para reconhecer fraudes nesses contratos.