Com Késia Alves
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) assumiu a autoria do ato na embaixada dos EUA, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (13). De acordo com comunicado à imprensa, a Juventude do grupo, em conjunto com o Levante Popular da Juventude, são os responsáveis pela realização do que chamaram de “protesto contra a política imperialista”.
O grupo levantou faixas, ateou fogo a um punhado de mato entre a calçada e o muro da construção, que fica no Setor de Embaixadas Sul, em Brasília, e, por fim pichou a parede que cerca a construção com a frase “Os EUA fazem guerra e lucram com a morte”, também grafitada em inglês, mas com um erro gramatical: “The USA mekes [cuja grafia é “makes”] war and profits from death”, sendo esta última palavra em caixa alta.
No comunicado, o MST pontua que “os EUA são um dos maiores fornecedores de armas a Israel, que assassinou mais de 73 mil pessoas na Faixa de Gaza, na Palestina, onde pelo menos 21 mil eram crianças”. De acordo com o movimento, o protesto se deu “contra a indústria bélica e a política imperialista”.
O ato se deu em meio às celebrações do 17º Encontro da Juventude Sem Terra, no ano em que é celebrado o centenário de Fidel Castro, líder revolucionário da Revolução Cubana, em 1959, e comandante-em-Chefe do país até pouco antes de sua morte, em 2016.
Relações entre Brasil e Estados Unidos
A pichação ocorre em um período de tensão nas relações entre os governos brasileiro e norte-americano.
Em 15 de julho, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos estavam questões relacionadas às relações comerciais e ao combate ao desmatamento. A medida passou a valer em 22 de julho.
Diante da decisão, o governo brasileiro acionou formalmente os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 27 de julho.
O impasse também teve reflexos diplomáticos. Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio às divergências envolvendo a indicação do republicano Daniel Perez para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément, autorização necessária para que um representante diplomático estrangeiro assuma oficialmente o posto. Brasília também criticou a decisão de Washington de divulgar a indicação antes da aprovação brasileira.
Confira a íntegra do comunicado:
Na manhã desta quinta-feira (13), a juventude do MST e do Levante Popular da Juventude realizaram uma intervenção na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, para denunciar os impactos da política imperialista do governo norte americano.
Portando cartazes inscritos: “Indústria da Guerra dos EUA = mortes, fome e a destruição da natureza”, os militantes denunciaram o país que é responsável por aproximadamente 42% das exportações globais de armas para mais de 100 países (Sipri 2019-2023), dominando o ranking do mercado internacional de armamentos pesados.
Dessa forma, os EUA são um dos maiores fornecedores de armas à Israel, que assassinou mais de 73 mil pessoas na Faixa de Gaza na Palestina, onde pelo menos 21 mil eram crianças e mais de 173 mil pessoas ficaram feridas. A ganância do presidente Trump pelo poder imperialista também deixou 100 mortos no ataque contra a soberania da Venezuela, além de ceifar a vida de mais 3.500 pessoas no Irã.
Assim, a juventude organizada protesta contra a indústria bélica e política imperialista dos EUA, grandes responsáveis pela morte de milhares de pessoas, pela guerra, pela fome e por bloqueios e sanções criminosas contra os povos da América Latina e do mundo:
“Defendendo o direito à vida, a natureza, a paz e a soberania dos povos, com uma superação desta sociedade na construção do socialismo e da emancipação humana.” – afirmam os militantes. A ação integra a 17ª Jornada Nacional da Juventude Sem Terra no marco do ano centenário de Fidel Castro.