O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que só poderia aceitar o convite do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) para comandar o Ministério da Segurança Pública caso conseguisse se aposentar antes de deixar o Ministério Público de São Paulo.
Ele descartou abrir mão da aposentadoria para assumir um eventual cargo no governo e disse que não pretende discutir a possibilidade neste momento.
“Não vou perder uma aposentadoria que eu lutei a vida inteira por esse ou aquele cargo”, disse Gakiya em entrevista ao jornal O Globo, após participar de um evento na Zona Oeste de São Paulo.
O promotor, um dos principais investigadores do Primeiro Comando da Capital (PCC), deixou aberta a possibilidade de assumir o ministério depois de cumprir os requisitos para a aposentadoria.
“Se eu achar que eu posso contribuir melhor fora do Ministério Público, aí eu vou pensar. Mas perder a aposentadoria eu não vou”, afirmou.
Gakiya também revelou que se surpreendeu ao saber que Caiado havia tornado público o convite. Segundo ele, o candidato telefonou depois para pedir desculpas pela exposição e confirmou que pretendia levá-lo para um eventual governo.
“Fui surpreendido com a divulgação dele, porque ele não havia me avisado”, relatou. De acordo com o promotor, Caiado explicou que a informação havia saído “meio sem querer”, mas reafirmou: “Eu realmente quero convidá-lo”.
Gakiya disse que respondeu ao candidato que não estava aberto a propostas naquele momento. Ele afirmou ainda que já havia recebido convites para integrar governos anteriormente.
Divergências sobre combate ao crime organizado
Apesar da predileção de Caiado pelo promotor, os dois divergem sobre estratégias de combate ao crime organizado.
O promotor é contrário à classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, enquanto Caiado defende a medida.
No plano de segurança apresentado para a campanha, Caiado propõe uma Lei do Terrorismo Doméstico para enquadrar facções e milícias nessa categoria, mesmo quando os crimes não apresentarem motivação ideológica.
Gakiya já criticou a classificação adotada pelos Estados Unidos para o PCC e o CV. Em maio, afirmou que não via benefícios na medida e demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre a cooperação entre autoridades brasileiras e americanas.
Ao comentar a associação de seu nome ao projeto de Caiado e, mais recentemente, ao PT, o promotor ironizou as diferenças políticas entre os dois.
“Vou de apoiador do PT a ministrável da extrema direita do Caiado. Vocês têm que entender para que lado eu vou”, afirmou.