Rendimentos de títulos do Tesouro dos EUA disparam com petróleo a US$ 107


FOLHAPRESS

Os rendimentos de títulos do Tesouro dos Estados Unidos dispararam nesta quinta-feira (10), atingindo o nível mais alto em quase duas décadas, à medida que a alta dos preços do petróleo e novos sinais de inflação persistente reacenderam uma onda global de venda de títulos.

O título de 30 anos subiu até 7 pontos-base, para 5,35%, o maior nível desde junho de 2007, enquanto o de 10 anos chegou a 4,95%, nível mais alto desde outubro de 2023 (alta de 11 pontos-base).

O movimento ocorreu um dia depois de o plano de recompra de US$ 6 bilhões anunciado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, ter recebido uma reação negativa dos investidores.

A operação de recompra aconteceu nesta quinta-feira e totalizou US$ 5,2 bilhões em ofertas, apesar do limite de US$ 6 bilhões. O Tesouro norte-americano informou ter recebido US$ 10,5 bilhões em ofertas, mas aceitou apenas cerca de metade desse montante. O fato de a operação não alcançar o limite máximo surpreendeu os operadores.

“Os títulos estão sofrendo um golpe duplo: os preços do petróleo avançam gradualmente, enquanto as recompras dos EUA e os crescentes riscos à credibilidade elevam os prêmios de risco”, disse Pooja Kumra, estrategista de juros da TD Securities.

Os rendimentos também subiram acentuadamente na Europa, depois que rebeldes houthis tomaram um importante porto do Iêmen e uma queda na produção saudita de petróleo bruto deu novo impulso à alta da commodity. O movimento é o mais recente sinal de que a escalada do conflito no Oriente Médio continua afetando o fornecimento global de energia e alimentando as pressões inflacionárias.

No Reino Unido, o rendimento dos títulos de referência de 10 anos também saltou para o maior nível desde 2007, subindo 0,11 ponto percentual, para 5,38%. Na Alemanha, o rendimento dos títulos de 10 anos avançou 0,06 ponto percentual, para 3,5%, o maior nível desde 2011.

A alta dos rendimentos significa que os preços dos títulos estão caindo. Isso ocorre porque preços e rendimentos caminham em direções opostas: quando os investidores exigem uma remuneração maior para comprar os papéis, os preços recuam; quando a demanda aumenta e os preços sobem, os rendimentos caem.

A pressão nos títulos ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central Europeu elevou os juros para 2,5%, nesta quinta-feira, e alertou que a inflação na zona do euro deverá “permanecer bem acima” da meta de 2% por “um período prolongado”, enquanto a guerra com o Irã mantém elevados os preços da energia.

O petróleo Brent, referência internacional, saltou 6%, chegando a US$ 107,31 por barril. O WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, subia em proporção semelhante, para US$ 101,86 por barril.

A Arábia Saudita informou à Opep que produziu 6,2 milhões de barris por dia em agosto, o menor volume mensal de 2026 e 23% abaixo do registrado em julho, segundo relatório divulgado pelo cartel do petróleo nesta quinta-feira.

“O mercado de petróleo está corrigindo seu maior erro de precificação desde a guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022”, disse Bob McNally, fundador do Rapidan Energy Group e ex-assessor de energia do ex-presidente George W. Bush. “Naquela época, o erro foi um pessimismo injustificado quanto à dimensão e à duração da interrupção; agora, é o otimismo.”

Reforçando as pressões sobre os preços nos Estados Unidos, dados divulgados nesta quinta-feira mostraram que a inflação no atacado acelerou ligeiramente em agosto, à medida que a retomada dos custos dos combustíveis encareceu o transporte de mercadorias pelo país.

O Índice de Preços ao Produtor, do Bureau of Labor Statistics, subiu para uma taxa anual de 5,4%, ante 4,7% no mês anterior, em alta maior do que a prevista pelos analistas de Wall Street.

Nesta semana, Trump admitiu que os preços do petróleo permaneceriam elevados pelo menos até as eleições de meio de mandato.

“Acho que vai levar um pouco mais de tempo do que até as eleições de meio de mandato”, disse o presidente americano na quarta-feira, enquanto os preços do petróleo bruto disparavam para mais de US$ 100 por barril após a mais recente escalada das hostilidades no Oriente Médio.

Trump afirmou que, depois disso, os preços do petróleo “despencariam”, embora analistas estejam elevando rapidamente suas projeções para 2026 e 2027, diante dos poucos sinais de que Estados Unidos e Irã estejam dispostos a chegar a um acordo de paz.

A S&P Global Energy afirmou nesta quinta-feira que os mercados de petróleo estavam “se acomodando a um novo normal” de preços mais altos, à medida que diminuíam as perspectivas de uma solução definitiva para o conflito com o Irã.

Pela primeira vez desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o grupo de pesquisa afirmou não prever que a produção de petróleo bruto do Oriente Médio retorne aos níveis anteriores à guerra até o fim de 2027.

“O mercado não está voltando à calma; está se ajustando ao novo normal definido por um conflito não resolvido e por riscos marítimos persistentes —um cenário em que os fluxos de petróleo permanecem abaixo dos níveis anteriores à guerra e o caminho à frente continua irregular”, disse Jim Burkhard, vice-presidente e chefe global de pesquisa de petróleo bruto da S&P Global Energy.


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