O atleta brasiliense Luiz Gustavo Sousa se classificou para o Campeonato Europeu de Jiu-Jitsu sem kimono da International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), que será realizado no fim de outubro em Roma, na Itália. Gustavo é recém formado em educação física pela Universidade de Brasília (UnB) e para conseguir participar do torneio, o brasiliense precisou criar uma vaquinha on-line para custear a inscrição, a hospedagem e a alimentação. O patrocinador do atleta vai custear somente as passagens.
O campeonato será realizado de 28 de outubro a 1º de novembro, com a presença de nomes de peso do Jiu-Jitsu sem kimono mundial, como Tarik Hopstock, campeão europeu e mundial de no-gi, Tommy Langaker, também campeão mundial, entre outros atletas campeões, brasileiros e europeus.
Luiz Gustavo começou no esporte com apenas cinco anos de idade, em um projeto social de judô da Polícia Militar do Distrito Federal, em Ceilândia. Aos 15, migrou pro Jiu-Jitsu para reforçar as “técnicas de solo” e se identificou com a modalidade. Com 19 anos, escolheu se dedicar exclusivamente aos campeonatos de Jiu-Jitsu, especificamente aos de no-gi (sem kimono). Ano passado o atleta conquistou o Open Fall Jiu-Jitsu, o Rio Summer International Open, o Centro-Oeste Brasileiro de Jiu-Jitsu e a Seletiva dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs). Todas as conquistas foram na categoria adulto/no-gi/faixa marrom/até 77 quilos.
Recém-formado, o atleta concilia a rotina de treinamentos com o trabalho. Segundo Luiz Gustavo, a necessidade de dar aulas e buscar outras fontes de renda interfere diretamente na preparação para as competições. “Enquanto muitos atletas não precisam trabalhar e podem se dedicar 100% ao esporte, outros, eu, por exemplo, preciso trabalhar”, relata. Gustavo afirma que a motivação para seguir em frente, em meio às dificuldades, é o amor genuíno pelo esporte.
Para viabilizar a participação no campeonato, o brasiliense precisou recorrer a uma vaquinha on-line. Segundo o atleta, o patrocínio que conseguiu em Brasília cobre apenas as passagens para a viagem, enquanto os demais custos ficam sob sua responsabilidade. “Se eu fosse depender só do que ganho com o jiu-jitsu, não conseguiria custear todos os gastos. A vaquinha foi uma alternativa”, explica. No início do ano, ele sofreu uma lesão no pé, ficou afastado dos treinos e perdeu alguns patrocínios, mas com a ajuda da vaquinha digital e de outros fomentos, o atleta estará presente no torneio.
As dificuldades financeiras já fizeram Luiz Gustavo abrir mão de outras competições. Segundo o lutador, a falta de recursos é frequente e pode impedir a participação em torneios importantes. Ele afirma que, neste ano, corre o risco de ficar fora do Pan-Americano e do Mundial por não ter recursos suficientes para arcar com despesas como visto, passagem, hospedagem e alimentação.
A disputa em Roma representa um novo passo na carreira do brasiliense. Depois de competir em torneios nacionais e ganhar boa parte deles, Luiz Gustavo vê o Campeonato Europeu como o maior desafio de sua trajetória até agora. A preparação, segundo ele, segue a rotina habitual de alto rendimento, mas com atenção especial às estratégias de luta e aos diferentes estilos encontrados no jiu-jitsu europeu. “Vou ter que analisar minha chave, ver os tipos de atletas que vão estar lá, porque existem diferentes estilos de jogo. O jiu-jitsu europeu está vindo em uma vertente um pouco diferente da do jiu-jitsu brasileiro. Então, vou ter que mudar algumas coisas na minha estratégia.”, explica o atleta.