Tesouro Direto amplia vendas em 2026 com juros altos e novo Reserva

Os títulos públicos do Tesouro Direto continuam ganhando espaço na carteira do investidor ao longo de 2026 em meio a um ambiente de juros em dois dígitos e ao lançamento do Tesouro Reserva, produto que permite aplicações a partir de R$ 1.

Os papéis do Tesouro, que integram o portfólio de renda fixa dos aplicadores, tendem a ganhar atratividade em períodos de maior volatilidade, como o atual, marcado pelas eleições e pelo conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

De agosto de 2025 a agosto de 2026, mês com os dados mais recentes disponibilizados pelo Tesouro, as vendas avançaram 134,97%, totalizando R$ 15 bilhões. O Tesouro Reserva, lançamento mais recente do Tesouro Direto, somou R$ 1,7 bilhão em vendas totais, ou R$ 1,3 bilhão em vendas líquidas, que já descontam os resgates dos investidores. O papel só é vendido pelo Banco do Brasil por enquanto.

“Quando a gente fala de reserva de emergência ou de um objetivo de curtíssimo prazo, o investidor não pode correr risco. Por isso, indicamos dois títulos do Tesouro que acompanham a taxa Selic: o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva, que é o mais recente”, diz Thainá Rambaldo, analista de macroeconomia na Genial Investimentos.

O Tesouro Selic é pós-fixado e acompanha a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, sendo usado para recursos que podem precisar de liquidez, como reserva de emergência e viagens. O Tesouro Reserva tem finalidade semelhante, com liquidez diária fora do horário tradicional, aportes a partir de R$ 1 e limite de R$ 500 mil por investidor ao mês, sem restrição para resgates.

O Reserva ainda tem uma qualidade adicional. Não tem marcação a mercado –mecanismo que faz o valor dos títulos oscilar antes do vencimento conforme as condições do mercado–, ao contrário de outros títulos do Tesouro.

“A gente tem um ano eleitoral por aqui e, no exterior, ainda há tensões, com o conflito no Oriente Médio. Todo esse movimento influencia a nossa dinâmica de juros aqui, e a expectativa é que as taxas ainda devam permanecer pressionadas nos próximos anos”, diz Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank.

Para Frias, mesmo com um ciclo de cortes no Brasil, o cenário possibilita estratégias com os ativos. “Abre possibilidades tanto para o Tesouro de curto prazo, o Tesouro Selic e Reserva, quanto para esses títulos mais longos, de médio prazo, como IPCA+ e prefixados, para poder fazer estratégias rentáveis”, diz.

O Tesouro Direto oferece outras quatro modalidades de títulos: Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado, Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+.

O Tesouro IPCA+ combina uma taxa real prefixada com a variação do IPCA e é voltado principalmente a objetivos de longo prazo, como aposentadoria e compra de imóvel. O Renda+ também acompanha o IPCA e é estruturado para a aposentadoria complementar, enquanto o Educa+ segue a inflação e é destinado ao financiamento da educação.

Já o Tesouro Prefixado tem uma taxa definida no momento da compra, permitindo conhecer a rentabilidade contratada se o título for mantido até o vencimento. Antes disso, porém, seu preço pode oscilar conforme as condições do mercado.

Os títulos têm diferentes vencimentos, que hoje vão de 2026 a 2065. Para especialistas, a escolha do prazo deve levar em conta o objetivo do investimento e o momento em que o recurso será necessário.
Thainá Rambaldo diz que é necessário ter uma estratégia. “O prazo do título tem que casar com o objetivo. Uma reserva de emergência pede liquidez, então deveria ficar em Selic ou Reserva. Um objetivo de três a cinco anos comporta um prefixado ou um IPCA+ de vencimento parecido. Aposentadoria e estudos pedem o Renda+ e o Educa+, que já foram desenhados para isso”, afirma.

Rambaldo também diz que um prazo mais longo com uma taxa maior não é necessariamente a melhor opção.

“Quanto mais longo o título, mais o preço dele oscila quando os juros de mercado se mexem, então aquela taxa bonita de um vencimento lá em 2045 só se realiza inteira se você carregar até o fim […] Travar num vencimento de dez anos um recurso que você vai usar em dois [anos] é um descasamento, por mais alta que seja a taxa.”

Os títulos do programa podem sofrer cobranças de taxas. Há incidência de taxa de custódia da B3, cujo percentual é de 0,2% ao ano sobre o valor investido. No caso do Tesouro Selic, há isenção para estoques de até R$ 10 mil; caso o investidor ultrapasse esse limite, a taxa incide apenas sobre o valor excedente.

A cobrança independe do canal utilizado, seja pela plataforma do Tesouro Direto, seja pela do banco.

“Mesmo quando a operação é realizada pelo Portal do Investidor, existe uma instituição financeira habilitada vinculada à operação. A taxa de custódia da B3 segue as regras do Tesouro Direto independentemente do canal utilizado”, diz Henrique Soares, planejador financeiro CFP pela Planejar.

Também pode haver cobrança de taxas pelas instituições financeiras, dependendo da instituição e dos serviços oferecidos. Segundo o Tesouro, grande parte das instituições não realiza mais esse tipo de cobrança. A relação completa pode ser consultada no site do Tesouro Direto.

Os títulos do Tesouro também estão sujeitos à cobrança de IR (Imposto de Renda) sobre os rendimentos e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em determinadas condições.

No caso do IR, a cobrança segue uma tabela regressiva, que varia de 22,5% para investimentos de até 180 dias a 15% para prazos superiores a dois anos. O imposto incide sobre os rendimentos e é recolhido no resgate antecipado, no vencimento ou, quando aplicável, no pagamento de juros.

No caso do IOF, a cobrança ocorre apenas em resgates realizados antes de 30 dias da aplicação. A alíquota é regressiva e chega a zero no 30º dia.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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