Deputadas eleitas farão campanha por voto feminino em Bolsonaro

 Parlamentares eleitas anunciam que se organizarão nacionalmente por aval das mulheres à reeleição de Bolsonaro. Nesse segmento, o presidente tem forte rejeição. Chefe do Executivo recebe respaldo formal de mais seis governadores


(crédito: Evaristo Sa/AFP)

Na busca por apoio à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro
(PL), recebeu ontem, no Palácio da Alvorada, mais de 200 deputados federais
eleitos. Entre eles, estavam o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o
líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), além do caminhoneiro Zé
Trovão (PL-SC) e do deputado Onyx Lorenzoni (PL), que disputa o segundo turno
ao governo do Rio Grande do Sul. O objetivo do encontro foi pedir aos aliados
que se dediquem a “conversar com os mais humildes” para virar votos.

A bancada feminina esteve representada pelas deputadas
federais Carla Zambelli (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Caroline de Toni (PL-SC),
Celina Leão (PP-DF) e Silvia Waiãpi (PL-AP); e das senadoras Damares Alves
(Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS).

Ajudando a segurar uma faixa com a frase “mulheres com
Bolsonaro”, Celina Leão afirmou que as parlamentares se organizarão
nacionalmente para formar uma rede de apoio ao presidente em sua investida pela
recondução ao Planalto. “Este é o presidente que levou água às mulheres
ribeirinhas do Nordeste, que dobrou o Bolsa Família, que perdoou o Prouni
(Programa Universidade para Todos), impagável. Cuida de mulheres, pobres,
negras, periféricas. Vamos lutar todas unidas. Pode ter certeza, nós faremos a
diferença”, disse.

A senadora Tereza Cristina disse que Bolsonaro “vai
para o segundo turno com um exército que vai levar o seu nome, o que nós já
fizemos e o que este governo vai fazer no próximo mandato”.

Já a primeira-dama Michelle Bolsonaro pediu desculpas pelos
palavrões proferidos pelo marido ao longo do mandato. “Perdão a todos
pelos palavrões do meu marido, também não concordo, mas ele é assim. Tem gente
que gosta, né?”, frisou. Ela disse ter saído de sua “zona de
conforto” ao ajudar Bolsonaro em sua campanha, discursando,
principalmente, em ambientes religiosos e aparecendo em peças eleitorais. O
presidente conta com a primeira-dama para diminuir a alta rejeição entre as
mulheres.

Em seu discurso, Bolsonaro reconheceu ter ofendido famílias
em meio à pandemia da covid-19, mas afirmou não ter tido a intenção e pediu
desculpa. “Sempre falei demais, reconheço. Ofendi algumas pessoas de forma
não intencional. Me desculpe, mas é o calor de uma luta da vida contra a morte.
O caso da pandemia, quem poderia esperar, hoje em dia, estarmos no terceiro mês
com deflação?”, emendou, citando, ainda, a queda do preço da gasolina.

Ele voltou ao ataque contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT), adversário dele no segundo turno, no dia 30. “O outro lado
diz que vai aumentar isso, manter aquilo, por que não fez antes, 14 anos
atrás?”, questionou. “Não podemos deixar que o Brasil volte a ser
administrado por um partido que, além da vergonha mundial, só fez coisa errada
aqui. Não é um candidato desconhecido, não é uma figura nova na política. É
conhecida, e nós sabemos o que aconteceu, não queremos mais isso para o nosso
Brasil.”

Em indireta a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou ser necessário “defender a
nossa liberdade na letra fria da Constituição” e que “não tem de ter
limites”. Segundo ele, os possíveis ofendidos nos diversos casos devem
procurar a Justiça para ingressar com um processo.

Por sua vez, Arthur Lira disse que a eleição para o
Legislativo mostrou que a maioria da população quer um Congresso
“conservador” e também reiterou apoio à recondução do presidente.
“O Brasil vai ter a oportunidade, no segundo turno, de escolher dois
modelos bastante antagônicos. E ao povo vai caber essa escolha. Nós pedimos a
compreensão e vamos, de uma maneira rebuscada, continuar afirmando: o Congresso
Nacional que foi eleito pelos brasileiros, Senado e Câmara, foi feito para a
permanência, a manutenção do governo Bolsonaro para os próximos quatro
anos”, enfatizou o presidente da Câmara.

Governadores

Também no Alvorada, Bolsonaro ganhou o apoio formal de mais
seis governadores: Ronaldo Caiado, de Goiás; Marcos Rocha, de Rondônia; Mauro
Mendes, de Mato Grosso; e Wilson Lima, do Amazonas — todos do União Brasil —;
além de Gladson Cameli, do Acre; e Antonio Denarium, de Roraima, ambos do PP.

“Em nome do povo goiano, venho aqui trazer e declarar
apoio à reeleição de Vossa Excelência”, disse Caiado. O governador goiano,
o único que não apoiou Bolsonaro no primeiro turno, afirmou que as diferenças
entre os dois foram superadas.

Mauro Mendes defendeu que o país está em “uma janela de
oportunidades para continuar caminhando ao futuro e não dar um passo rumo ao
passado”. Ele destacou que se esforçará para que Bolsonaro tenha, no mínimo,
70% dos votos no estado. A fala foi endossada por Marcos Rocha, do Mato Grosso,
onde Bolsonaro obteve 64% dos votos.

“Tenho certeza e afirmo com toda segurança: o
presidente Bolsonaro é mais seguro e melhor para os 220 milhões de brasileiros.
(…) Fujam do Lula para que vocês não tenham de fugir do Brasil”, afirmou
Denarium.

Bolsonaro se disse feliz em receber “mais um apoio de
peso” à sua reeleição e caracterizou que disputará o segundo turno com
“muita competitividade”.

Horas depois, o presidente viajou a Minas Gerais.

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