Adolescente segue em coma após agressão

Justiça mantém prisão de piloto acusado de agressão em Brasília
Justiça mantém prisão de piloto acusado de agressão em Brasília – Reprodução

O adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, segue internado em estado grave e em coma desde o dia 23 de janeiro, após ser agredido durante uma briga no Distrito Federal. O caso resultou na prisão preventiva do piloto de automobilismo Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, mantida após audiência de custódia realizada no sábado (31/1).

A agressão ocorreu no bairro Vicente Pires, em Brasília, após Pedro Turra arremessar um chiclete mascado em um amigo da vítima, o que deu início a uma discussão que evoluiu para agressões físicas. Imagens registradas no local mostram o momento em que o piloto empurra o adolescente, que se desequilibra, bate a cabeça e perde a consciência. Rodrigo sofreu traumatismo craniano grave e permanece hospitalizado, sem previsão de alta.

Preso inicialmente em flagrante um dia após a agressão, Turra foi solto após pagar fiança de R$ 24 mil, mas posteriormente teve a prisão preventiva decretada. A decisão levou em conta indícios de interferência nas investigações e relatos de agressões físicas reiteradas atribuídas ao acusado.

Audiência de custódia

Pedro Arthur Turra Basso foi chamado na lista de presos conduzidos à sala do Núcleo de Audiência de Custódia (NAC), no Complexo da Polícia Civil, na manhã de sábado (31/1). Durante audiência, o jovem afirmou à juíza ter sido alvo de ameaças por agentes e por outros detentos da cela.

Ao final da sessão, a Justiça determinou o encaminhamento provisório do acusado para uma cela individual, como medida de segurança, até sua transferência — prevista para ocorrer até terça-feira — ao Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda. Turra responde pelo crime de lesão corporal grave.

Possível omissão de socorro

Em entrevista ao g1, o delegado Pablo Aguiar, responsável pela 38ª Delegacia de Polícia de Vicente Pires, afirmou que as pessoas que presenciaram a agressão e se limitaram a filmar a cena podem responder por omissão de socorro.

“O que nos surpreende é o quê? Situações em que jovens como eles, que estão ali, não estavam nem para apartar. Teve até um que tentou apartar e acabou sendo atingido por um golpe, sem querer, dado pela própria vítima, mas a grande maioria estava apenas gravando o fato”, afirmou o delegado.

Segundo Aguiar, o comportamento das testemunhas causa preocupação. “É um fato que nos assusta. Que sociedade é essa que a gente está criando?”, questionou.

Investigações

A Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado nas regiões do Park Way e de Águas Claras. Durante as diligências, foram apreendidos celular, computador, uma faca e um soco inglês, que serão submetidos à perícia.

As apurações incluem ainda outros relatos de violência atribuídos a Turra. Em um dos casos, ele é suspeito de ter utilizado uma arma de choque contra uma adolescente de 17 anos durante uma festa, para obrigá-la a ingerir bebida alcoólica. Outro homem compareceu à delegacia para relatar ter sido agredido pelo piloto em junho do ano passado.

Manifestações de apoio à vítima reuniram familiares, amigos e moradores. Na sexta-feira (30/1), mais de 100 pessoas se concentraram em frente ao Hospital Brasília, em Águas Claras, em um ato de fé e solidariedade a Rodrigo. Paralelamente às investigações criminais, Pedro Turra foi desligado da Fórmula Delta, competição de automobilismo da qual fazia parte. Em nota, a organização afirmou que não compactua com qualquer tipo de violência (com informações da Agência Brasil e G1)

T CSM

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