Os estragos provocados pela chuva levaram a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), a decretar estado de calamidade pública na cidade mineira na madrugada desta terça-feira (24). A assinatura, feita no gabinete após uma noite de transtornos, foi transmitida em vídeo postado nas redes sociais.
Segundo a prefeita, o temporal, que começou na segunda (23) e continuou no início da madrugada de terça, provocou ao menos 20 soterramentos de imóveis no município, principalmente na região sudeste.
Bombeiros, equipes da Defesa Civil e voluntários de empresas particulares atuam no resgate de pessoas soterradas. Não há, até o momento, um balanço sobre o número de vítimas.
Nas redes sociais, vídeos mostram moradores tentando socorrer vizinhos ilhados, casas desmoronando, ruas alagadas e cena de desespero. Há também pedidos de ajuda e relatos de pessoas presas em destroços de desabamentos.
“Uma casa desmoronou e tem uma pessoa presa”, diz texto de um pedido de socorro feito pelo Instagram. O morador do Grajaú disse que não conseguia ser atendido pelo Corpo de Bombeiros.
Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 584 mm acumulados até o momento, o dobro do esperado para o mês. As consequências são, além dos soterramentos, quedas de árvores e bairros ilhados pelas águas.
“É uma situação extrema, que permite medidas extremas”, disse a prefeita.
O decreto de calamidade permite o recebimento de recursos estaduais e federais. Salomão afirmou que será preciso também uma mobilização de voluntários para ajudar as famílias afetadas.
As aulas nas escolas municipais foram suspensas nesta terça. A prefeita sugeriu que a cidade tenha um dia com atividades reduzidas e autorizou os funcionários da sede administrativa a trabalharem remotamente.
Segundo ela, a cidade precisa de um período de recuperação. “Estamos nos desdobrando para socorrer as pessoas e salvar vidas”, disse.
A intensidade da chuva provocou o transbordamento do rio Paraibuna e a interdição da ponte Vermelha e do túnel Mergulhão. Deslizamentos de terra impediram o trânsito de veículos na Serra dos Bandeirantes e na Garganta Dilermando. Na avenida Brasil o tráfego foi prejudicado pela queda de árvores. Ao menos dez pontos da cidade sofreram com alagamentos.
O decreto de calamidade entra em vigor nesta terça e ficará 180 dias em vigor.