O senador Plínio Valério (PSDB-AM) fez um pronunciamento no Plenário do Senado nesta terça-feira (3) para criticar operações de órgãos federais contra o garimpo em Humaitá, no Amazonas. Segundo o parlamentar, as ações conduzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Polícia Federal e da Força Nacional, têm atingido famílias pobres que praticam garimpo artesanal de subsistência, atividade permitida pela Constituição.
Valério relatou que essas operações, sob o pretexto de combater o garimpo irregular, virtualmente destruíram áreas centrais dos municípios de Humaitá e Manicoré no final do ano passado. Ele mencionou que a gravidade dos eventos levou a Comissão de Direitos Humanos a determinar uma diligência na região, e que um relatório sobre a violência registrada in loco foi apresentado ao Plenário.
O senador também questionou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autoriza o uso de explosivos para destruir embarcações e equipamentos durante as operações. Para ele, essa medida coloca em risco comunidades ribeirinhas, prejudica a fauna local e não atinge os garimpos de grande escala, que, em sua visão, estão associados ao narcotráfico.
— Eu queria ver essa ferocidade, essa bravura, indo lá nas dragas patrocinadas pelo narcotráfico. E não vão. Têm medo? Eu acho que sim. Preferem criar momentos midiáticos, para que possam espalhar pelo mundo inteiro: “Olha, estão combatendo o narcotráfico”. Mentira! Não estão fazendo isso, porque não têm coragem para fazer isso. E a gente fica penalizado. Quando dizem que são dragas, eu estou aqui para dizer que não são dragas, que são flutuantes de madeira, 5 metros por 10, com um mezanino onde a família mora, onde a família dorme — afirmou o senador.