Projeto investiga origem de tartarugas marinhas em Arraial do Cabo

Em uma tarde de mar calmo na Praia do Pontal, parte da Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo, no litoral do Rio de Janeiro, mergulhadores capturam tartarugas marinhas em um caiaque. A atividade, acompanhada por pescadores e banhistas, integra o Projeto Costão Rochoso, da Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento, em parceria com a Petrobras.

O projeto visa preservar e recuperar os costões rochosos, áreas de transição entre mar e continente. Focado na maior densidade de tartarugas-verdes do Brasil em área de alimentação, a iniciativa busca descobrir a origem dessas espécies em Arraial do Cabo, onde ocorrem todas as cinco espécies de tartarugas marinhas presentes no país.

Após a captura, as tartarugas são levadas à areia para uma bateria de exames, incluindo pesagem, medição e coleta de tecido para análise de DNA. “Apesar de termos muitas tartarugas aqui, não sabemos onde elas nasceram. É isso que estamos tentando entender”, explica a bióloga Juliana Fonseca, uma das fundadoras do projeto.

As análises de DNA, em parceria com a Universidade Federal Fluminense, devem revelar conexões entre áreas de desova e alimentação. As tartarugas, com expectativa de vida de cerca de 75 anos, permanecem aproximadamente dez anos em Arraial, algumas até 25, antes de retornar para reprodução. Elas chegam como juvenis, após uma fase oceânica de pelo menos cinco anos, e se desenvolvem bem na região devido à abundância de alimento.

O monitoramento abrange as praias dos Anjos, Grande e do Pontal, além da Ilha de Cabo Frio. Pesquisadores medem casco, nadadeiras, rabo e até unhas, além de usar fotografias e softwares para identificação individual, comparando placas na cabeça das tartarugas como impressões digitais. Desde 2018, cerca de 500 indivíduos foram catalogados, com 80 submetidos à coleta de DNA, cujos resultados são esperados em seis meses.

Outra linha de pesquisa avalia a tolerância das tartarugas à aproximação humana, simulando abordagens para determinar distâncias mínimas suportáveis. Isso visa combater relatos de assédio e capturas indevidas, promovendo boas práticas no turismo. Com base nos achados, será elaborada uma cartilha para observação responsável, aplicável não só em Arraial, mas em outras regiões do Brasil e do mundo.

As atividades ocorrem com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Projeto Tamar. Equipes notificam guardas ambientais e esclarecem banhistas sobre os objetivos preservacionistas. Placas na praia alertam: “Proibido tocar nos animais marinhos”. Para realizar as capturas, os pesquisadores precisam de formação em áreas como veterinária, biologia ou oceanografia.

T CSM
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