Agricultores goianos semeiam nuvens para fazer chover em Rio Verde

Os agricultores de Rio Verde, Paranaúna e Montividiu decidiram investir em método diferenciado de enfrentar a ameaça da seca às suas lavouras de milho na safrinha. Ao Mais Goiás, eles revelaram que contrataram aviões para espalhar sal nas nuvens, ou seja, semear as nuvens. A técnica é chamada de nucleação e acelera a formação de precipitações. Inclusive, a primeira ação ocorreu na segunda-feira (27), já com bons resultados.

No processo, aeronaves da Aerotex Aviação Agrícola voam abaixo das nuvens carregadas e liberam uma solução de sal comum no ar. As correntes de vento empurram as partículas para dentro delas e o condimento atrai umidade, ajudando a transformá-la em chuva mais rapidamente. A iniciativa é coordenada pela Sala do Agro de Rio Verde com o engenheiro agrônomo Diego Martins, que conversou com o Mais Goiás.

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Segundo ele, os primeiros voos já apresentaram resultados, com chuvas de 10 e 30 milímetros nas áreas atendidas após as operações. O volume foi suficiente para aliviar lavouras que sofriam com a estiagem. Ele explica que o Instituto Federal (IF) Goiano acompanha os dados meteorológicos para ajudar a decidir quais dias e regiões têm mais chance de sucesso.

(Foto: Reprodução)

Investimento

Diego esclarece que o custo da hora de voo é de R$ 4 mil. O valor é dividido entre os participantes do projeto. Normalmente, são realizadas 3 horas de semeadura por dia. Quando a chuva cai em uma propriedade específica, o dono daquela terra paga a conta.

Caso a chuva seja mais ampla ou não aconteça, o valor é dividido. Vale destacar que a técnica já é usada há décadas em países do Oriente Médio para lidar com o clima seco.

Enfim, chuva

Ao Mais Goiás, o produtor rural Aloizio Lino de Souza revela que quase 20 agricultores se uniram para fazer um teste com o método. Já na segunda-feira, a fazenda dele de 15 mil hectares registrou chuva: 10 milímetros em um ponto e 15 em outro.

O produtor, que planta milho e sorgo, afirma que nada é como a chuva tradicional, “mas para quem não tinha nada é bom. Aliviou”. Ele detalha que é preciso haver nuvens baixas e com possibilidade de precipitações. “É eficaz quando há nuvens com possibilidade de chuva. Algumas que poderiam ir para outro lado, fazemos precipitar.”

Questionado se pretende insistir na técnica, ele afirma que sim, quando houver necessidade. “É o nosso primeiro contato e precisamos entender a eficácia do método. Já ouvimo falar há algum tempo. Agora estamos tentando entender.”

Detalhes

Ruy Alberto Textor, o Beto Textor, é o proprietário da empresa responsável. A pedido do Mais Goiás, ele detalhou o funcionamento do trabalho. O empresário começou pela estrutura da nuvem.

“Uma nuvem nada mais é do que vapor d’água em suspensão. As precipitações ocorrem de forma natural quando existe bastante umidade. As partículas vão coalescendo, esse vapor d’água vai coalescendo, vão se juntando um com o outro, e as correntes convectivas que tem no meio da nuvem fazem com que essas partículas vão subindo e juntando com as outras, a ponto de chegarem a tal tamanho que elas estão grandes o suficiente para caírem. É onde ocorre a chuva.”

Sal utilizado nas nuvens (Foto: Reprodução)

Quanto ao trabalho, ele reforçou o uso de cloreto de sódio, o sal de cozinha em uma solução concentrada, de forma pulverizada nas nuvens. “Devido às correntes convectivas que tem na base da nuvem, cúmulos, que é uma nuvem de base quente, com desenvolvimento vertical, elas são sugadas para dentro da nuvem. Quando essas partículas são sugadas, acontece o que a gente fala que é a nucleação, que é o estímulo artificial para tentar provocar com que essa nuvem desestabilize.”

Dessa forma, segundo ele, “as partículas vão coalescendo de uma forma artificial. Aí entra o que nós estamos fazendo, colocando um núcleo de condensação dentro da nuvem”. Com esse processo, a depender de como a nuvem está carregada, leva de 30 minutos a 1 hora para chover.

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Beto, que também é piloto, revela que quando a aeronave chega na base da nuvem e começa a pulverizar, o avião quer subir. “Então, você tem que segurar o avião para baixo para ele não entrar.”

Tratam-se de aviões agrícolas, mas as aeronaves são descontaminadas com produtos específicos. “Todo o sistema é limpo, então não há nenhum risco de contaminação. Além disso, a quantidade de sal pulverizada é infinitamente pequena. É uma técnica segura.”

(Foto: Reprodução/ canva)

Projeto em Goiás

Segundo Beto, o projeto ocorre, justamente, devido à seca recente. Ele esclarece que é preciso um tipo específica de nuvem para realizar o trabalho. “Nada acontece se não houver as nuvens próprias, as nuvens cúmulos. No primeiro dia tivemos sucesso, com várias chuvas no município”, detalhou.

O proprietário da Aerotex também enfatizou que a união ocorreu por necessidade. “A necessidade faz com que nos unamos, além de traçar metas que têm dado certo.” As aeronaves, inclusive, também fazem parte de uma brigada para auxiliar durante os períodos em que há aumento de incêndio.


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