Projeto usa dados e inteligência artificial para otimizar gestão hospitalar no DF

Projeto usa dados e inteligência artificial para otimizar gestão hospitalar no DF
Projeto usa dados e inteligência artificial para otimizar gestão hospitalar no DF | Imagem: Divulgação

Monitoramento inteligente para otimizar a gestão hospitalar

Um projeto apoiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) propõe a criação de uma plataforma inteligente para otimizar a gestão hospitalar na saúde pública do DF, acompanhando em tempo real a jornada do paciente. Coordenada pela Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação (RBCIP), a iniciativa, intitulada “Monitoramento Ativo e Inteligente da Jornada do Paciente”, será implementada inicialmente no Hospital Regional do Gama (HRG), com previsão de início em setembro de 2026.

À frente do projeto está o coordenador Marcelo Estrela Fiche, pesquisador com trajetória em economia aplicada, gestão pública e inovação. O diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, destaca que a ciência está à disposição para resolver problemas reais. “É isso que a FAPDF promove ao investir em pesquisa aplicada e tecnologia: transformar conhecimento em soluções concretas que melhoram a saúde pública no Distrito Federal”, afirma.

Mais do que digitalizar processos, o projeto propõe uma mudança estrutural: sair de um modelo reativo, em que problemas são identificados após ocorrerem, para um modelo preditivo, capaz de antecipar riscos e evitar falhas assistenciais.

Da fragmentação à inteligência integrada

Atualmente, grande parte do atendimento na rede pública ocorre de forma fragmentada, com informações distribuídas em sistemas que não se comunicam, um problema conhecido como falta de interoperabilidade. Esse cenário contribui para atrasos em exames, falhas na administração de medicamentos e aumento do tempo de internação.

Para enfrentar o desafio, o projeto propõe uma plataforma que integra dados assistenciais, operacionais e administrativos em tempo real, criando uma visão completa do paciente. Isso se materializa em um perfil clínico unificado, que reúne exames, prescrições e atendimentos em um único ambiente. As informações são organizadas em um datalake, alimentado por processos que extraem, padronizam e consolidam dados de múltiplas fontes.

A partir dessa base, a solução incorpora inteligência artificial (IA) clínica, que utiliza algoritmos para analisar grandes volumes de dados e identificar padrões de risco. Com isso, o sistema consegue identificar precocemente sinais de agravamento, como risco de sepse ou insuficiência respiratória, e acionar protocolos assistenciais. A plataforma também envia alertas em tempo real para as equipes responsáveis ao identificar atrasos ou inconsistências.

Segurança e inteligência para decisões públicas

Como o projeto envolve dados sensíveis, a segurança da informação é um eixo central. São utilizados mecanismos como anonimização e blockchain, tecnologia que registra operações de forma imutável e rastreável. A solução está alinhada à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além do acompanhamento individual, o sistema possui um módulo de inteligência epidemiológica para analisar dados em escala populacional, permitindo que a gestão pública atue de forma antecipada. A implementação deve gerar impactos como a redução de eventos adversos, a diminuição do tempo de internação e a melhoria no uso de recursos hospitalares.

Inovação aplicada à saúde pública

A proposta integra o Programa Desafio DF (2025), uma iniciativa da FAPDF para o desenvolvimento de soluções inovadoras para a gestão pública. Com investimento superior a R$ 3,8 milhões e execução prevista de 12 meses, o projeto de monitoramento da jornada do paciente é uma iniciativa estruturante para redefinir o cuidado em saúde no Distrito Federal.

*Com informações da FAPDF

T LB
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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