Mais pobres se endividam por necessidade, não por consumismo, diz pesquisa

Fazenda eleva projeção de inflação para 2026 com alta do petróleo
Fazenda eleva projeção de inflação para 2026 com alta do – Reprodução

Diego Alejandro
Folhapress

Uma pesquisa do instituto Nexus, encomendada pelo BTG Pactual, indica que o endividamento entre brasileiros de menor renda está diretamente ligado a despesas essenciais e choques de renda, como desemprego e gastos com saúde —e não ao consumo supérfluo.

Segundo o levantamento, entre quem ganha até um salário mínimo, 41% apontam despesas com saúde como motivo para se endividar, percentual bem acima da média nacional, de 32%. O peso desse fator diminui conforme a renda aumenta: 37% entre quem recebe de um a dois salários mínimos, 30% na faixa de dois a cinco salários e apenas 19% entre os que ganham mais de cinco salários mínimos.

A perda de emprego também aparece com mais força na base da pirâmide. Para 22% dos entrevistados com renda de até um salário mínimo, o desemprego —próprio ou de alguém da família— levou ao endividamento, ante média geral de 13%.

Já os gastos cotidianos, como alimentação e contas fixas, seguem como o principal fator de endividamento em todas as faixas de renda, citados por 50% dos brasileiros.

Entre os mais ricos, no entanto, o perfil da dívida muda. Após as despesas do dia a dia (49%), o principal motivo passa a ser o consumo financiado: 35% dos entrevistados com renda acima de cinco salários mínimos mencionam compras parceladas ou financiamentos como origem das dívidas. Em seguida aparece a queda de renda mensal (20%).

“O brasileiro de menor renda se endivida por despesas que não pode evitar, muitas vezes recorrentes, o que dificulta a quitação e faz a dívida crescer ao longo do tempo”, afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

A pesquisa ouviu 2.028 pessoas por telefone entre os dias 24 e 26 de abril e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01075/2026.

Os dados surgem em um momento de aumento do comprometimento da renda de brasileiros com débitos. E da tentativa do governo, com o Desenrola 2.0, de minimizar o problema.

Segundo o Banco Central, o nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% da renda em fevereiro, igualando o recorde histórico da série iniciada em 2005. O comprometimento da renda com dívidas também bateu nova máxima, chegando a 29,7%.

T CSM
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