FÁBIO LÁZARO
O Corinthians fará neste domingo (24), contra o Atlético Mineiro, o último jogo pelo Brasileirão na Neo Química Arena antes da pausa para a Copa do Mundo.
Em meio à luta contra o rebaixamento, o clube vê a partida como decisiva para evitar que a interrupção do calendário aconteça sob pressão ainda maior no torneio nacional.
A campanha recente em casa ajuda a explicar o tamanho da preocupação interna.
O Corinthians saiu de um aproveitamento de 45,8% na Neo Química Arena sob o comando de Dorival Júnior em 2026 para 88,9% nos seis primeiros jogos de Fernando Diniz no estádio. O atual treinador soma cinco vitórias e um empate como mandante, enquanto o antecessor registrou três vitórias, dois empates e três derrotas em oito partidas oficiais em Itaquera nesta temporada.
O desempenho em casa se tornou ainda mais relevante diante da situação do Corinthians no Brasileirão.
A equipe é a primeira fora da zona de rebaixamento, na 16ª colocação, com 18 pontos conquistados em 16 jogos. São quatro vitórias, seis empates e seis derrotas na competição, com aproveitamento de 37%.
O Corinthians entende que a reação no Brasileirão passa diretamente pelo aproveitamento como mandante. O clube vinha de sequência irregular na Neo Química Arena durante o período de Dorival Júnior, que deixou o cargo com o segundo pior aproveitamento entre os técnicos do Corinthians desde a inauguração do estádio, em 2014. Em 30 jogos em Itaquera com o treinador, a equipe conquistou 51,1% dos pontos disputados, com 12 vitórias, dez empates e oito derrotas — superando apenas a última passagem de Mano Menezes, entre 2023 e 2024, com 33,3% de aproveitamento.
Com Fernando Diniz, os números mudaram rapidamente: o Corinthians segue invicto em casa com o treinador, com cinco vitórias e um empate em seis jogos. A equipe marcou nove gols e sofreu apenas dois no período.
O recorte coloca Diniz entre os melhores inícios de trabalho da história da Neo Química Arena. O aproveitamento de 88,9% nos seis primeiros jogos iguala os números iniciais de Fernando Lázaro e fica atrás apenas do início de Tite, que venceu as seis primeiras partidas no estádio.
A mudança de rendimento em Itaquera tem peso ainda maior porque o Corinthians voltou a perder pontos fora de casa nas últimas rodadas. O clube conseguiu sair da zona de rebaixamento em três oportunidades recentes após vitórias como mandante, mas retornou ao Z4 depois das derrotas para Mirassol e Botafogo.
O Corinthians terá apenas mais dois jogos pelo Brasileirão antes da paralisação para a Copa do Mundo.
Além do Galo, em casa, o Timão enfrenta o Grêmio, como visitante, no último compromisso do clube antes do Mundial.
A avaliação interna é de que a equipe precisa aproveitar o momento positivo na Neo Química Arena para reduzir o risco de entrar na pausa dentro da zona de rebaixamento.
A preocupação envolve não apenas a classificação na tabela, mas também o impacto do cenário sobre o ambiente do futebol durante a intertemporada. O entendimento é de que passar mais de um mês no Z4 aumentaria a pressão sobre elenco, diretoria e comissão técnica justamente no momento em que o clube precisará planejar o segundo semestre.
O alerta no Brasileirão contrasta com o cenário vivido pelo Corinthians na Libertadores. Na última quinta-feira, o clube empatou com o Peñarol, em Montevidéu, garantiu a liderança do Grupo E e confirmou classificação antecipada às oitavas de final.
Mesmo com a campanha continental acima das expectativas internas, o Brasileirão passou a ser tratado como prioridade imediata na reta final de maio. O planejamento do clube considera fundamental chegar à pausa fora da zona de rebaixamento para evitar que o cenário afete as decisões sobre elenco e futebol durante o período sem jogos.