A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28), a Operação Crédito Corrompido para desarticular um suposto esquema criminoso envolvendo fraudes em empréstimos consignados e créditos milionários concedidos pelo Banco de Brasília. A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), com apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e das polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, os crimes teriam sido praticados por grupos formados por correspondentes bancários, gerentes do BRB, intermediários financeiros e operadores ligados à concessão irregular de empréstimos. De acordo com a PCDF, o próprio banco comunicou às autoridades, ainda em 2025, indícios de atuação de uma “gangue” especializada em fraudes envolvendo principalmente professores temporários e pessoas sem perfil regular para obtenção de crédito consignado.
As apurações indicam que correspondentes conhecidos como “pastinhas” recrutavam clientes por meio de redes sociais, falsificavam documentos e encaminhavam pedidos de empréstimo a gerentes envolvidos no esquema. Após a liberação dos valores, parte do dinheiro era destinada ao grupo criminoso como comissão. Em outra frente investigada, a polícia identificou a concessão de créditos milionários supostamente aprovados mediante pagamento de propina a funcionários do banco em conluio com operadores financeiros.
Durante a operação desta quinta-feira, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão em bens e valores ligados a um gerente suspeito de ocultar recursos ilícitos por meio de empresa de fachada. Os investigados poderão responder por crimes como peculato, corrupção ativa e passiva, estelionato contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa, cujas penas somadas podem ultrapassar 30 anos de prisão.