Déficit de estatais federais bate recorde e supera rombo de 2025

As empresas estatais federais registraram déficit de R$ 5,93 bilhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (29). O resultado é o pior para o período desde o início da série histórica, em 2002, e já supera o rombo de R$ 5,1 bilhões registrado em todo o ano de 2025.

O levantamento considera empresas federais não financeiras, como Correios, Infraero, Serpro, Dataprev e Casa da Moeda, mas não inclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos. O Banco Central utiliza uma metodologia baseada na variação da dívida das estatais para calcular o resultado.

O recorde negativo ocorre em meio à crise financeira dos Correios, que encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e acumulam 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. No fim do ano passado, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional para reforçar o caixa.

A situação preocupa o governo, que já prevê resultados negativos das estatais federais até 2030. No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado ao Congresso, o Executivo também admite que os Correios poderão precisar de novos aportes de recursos da União para enfrentar suas dificuldades financeiras.

O resultado divulgado pelo Banco Central aumenta a pressão sobre a gestão das empresas públicas e reacende o debate sobre o impacto das estatais nas contas do governo federal.

Correios concentram preocupações

O recorde negativo ocorre em meio à deterioração financeira dos Correios, apontados pelo próprio governo como uma das principais preocupações entre as empresas estatais.

Em 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes superior ao resultado negativo de 2024, que havia sido de R$ 2,6 bilhões. A empresa também acumulou 14 trimestres consecutivos de prejuízo desde o fim de 2022.

Para enfrentar a crise de caixa, os Correios contrataram, no fim do ano passado, um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. Mesmo assim, o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, afirmou que a estatal poderá precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo de 2026, por meio de novos empréstimos ou aportes diretos da União.

T CSM
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