Tubarão que mordeu menino no Grande Recife é da espécie cabeça-chata

O tubarão que mordeu um menino de 11 anos na tarde de ontem em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, é da espécie cabeça-chata, segundo informações do Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões).

Tubarão tinha cerca de 2,5 metros de comprimento, segundo a secretária executiva do Cemit, Danise Alves. Ela confirmou a espécie em entrevista à TV Globo na manhã de hoje e disse que a confirmação foi feita com base no arco da mordida do animal no menino.

Espécie tem o hábito de ir para áreas rasas do mar procurar por comida. Isso reforça a informação dada ao UOL por uma banhista que presenciou o ataque ontem e disse que a criança estava no raso.

Ataque aconteceu na tarde de ontem na praia de Piedade, que concentra a maioria dos casos do tipo no estado. O Corpo de Bombeiros atendeu a vítima, que foi levada ao Hospital da Aeronáutica e transferida para o Hospital da Restauração em seguida.

O menino teve ferimentos na mão e na coxa esquerda. O Hospital da Restauração não deu detalhes sobre o estado de saúde da criança hoje.

O trecho da praia de Piedade é sinalizado sobre o risco de incidentes com animais marinhos. Desde 1999, há um alerta na área contra o risco de tubarões, que orienta as pessoas a respeitarem as recomendações dos guarda-vidas e das placas de advertência.

Por que costa de Pernambuco tem tantos ataques de tubarão?

Construção do Complexo Portuário de Suape alterou estuários que funcionavam como berçários e áreas de alimentação de tubarões. Especialistas afirmam que o aterramento de estuários tirou dos animais uma “cozinha” e uma “maternidade”, o que contribuiu para aumentar os acidentes a partir do início dos anos 1980.

Canais profundos passam perto das águas rasas em praias como Piedade e Boa Viagem, aproximando os animais da faixa de areia quando a maré sobe. Nessas áreas, os canais chegam a ter de 6 a 8 metros de profundidade e servem de corredor para espécies como tubarão-tigre e cabeça-chata, citadas como predominantes no litoral do estado.

Desrespeito às placas e à proibição de banho aumenta a exposição de pessoas ao risco. O trecho tem sinalização e o banho é proibido, mas há registros de banhistas entrando no mar mesmo após ataques, o que especialistas apontam como fator decisivo para que ocorram novos acidentes.

Especialistas defendem retomar o monitoramento ambiental para entender se a população de tubarões cresceu e quais espécies circulam na região. A avaliação é que o ambiente segue desequilibrado e que o número de acidentes pode cair a zero se a população respeitar as restrições, mas tende a aumentar se a entrada no mar continuar.

T CSM
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