Urna eletrônica é aberta em transmissão ao vivo pela primeira vez

Pela primeira vez, a urna eletrônica de votação foi aberta em uma transmissão ao vivo, direto da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. A ação, divulgada pela TV Justiça, nesta segunda-feira (3), faz parte da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação. Para o TSE, a demonstração de funcionamento da urna eletrônica por dentro busca ampliar o conhecimento da população sobre a segurança, a transparência e a auditabilidade do equipamento.

Sem conexão

Rafael Azevedo, coordenador de Tecnologia Eleitoral do TSE, explicou que a urna eletrônica é um equipamento composto por dois terminais ligados por um cabo: o terminal do mesário, onde o eleitor é identificado, e o terminal do eleitor, onde é registrado numericamente o voto. A urna funciona ligada à energia elétrica ou à bateria interna, sem conexão com internet, como destaca Azevedo:

“Essa ausência de conexões Bluetooth, Wi-Fi e qualquer coisa sem fio impede que qualquer um ataque a urna a distância. Mas ela também tem segurança suficiente para que, mesmo aberta, se alguém tentar atacar, não consiga adulterar nada, nem colocar nenhum outro sistema, nem alterar votos, nem nada.”

Segurança

Durante o evento, foram apresentadas as quatro barreiras de segurança das urnas eletrônicas, presentes no teclado, no leitor biométrico, no processador criptográfico e na impressora, destinada à zerésima e ao boletim de urna. A zerésima é o relatório impresso antes do início da eleição e tem como função mostrar que as urnas não computaram votos antecipadamente.

O coordenador do TSE explicou que os dados dos eleitores de uma determinada seção são inseridos por uma mídia na urna eletrônica. Há também outro dispositivo de armazenamento que contabiliza os votos. Em caso de falha na urna eletrônica, um equipamento reserva passa a ser usado, com a transferência da mídia de votação, como explica Rafael Azevedo, do TSE:

“A filosofia da urna eletrônica é: desliga, liga. Não funcionou? Troca de equipamento. Os votos são sempre guardados aqui e aqui. É um pen drive normal. Antes de aparecer a tela ‘Fim’ para o eleitor, aparece uma barra de progresso. Se a urna quebrar, eu vou tirar essa mídia e colocar em outra urna. A urna de contingência não tem votos aqui. Quando eu ligar, ela vai verificar que os votos estão íntegros, vai copiá-los e vai continuar a votação.”

O evento também foi uma oportunidade para destacar a segurança na fabricação das urnas eletrônicas, como explicou o representante de tecnologia do TSE:

“A arquitetura de segurança e a arquitetura do equipamento inteiro são feitas por servidores do TSE. Então, nós licitamos essa produção. A empresa tem que passar por mais de 150 testes durante a licitação, para que, depois de contratada, ainda continue desenvolvendo o projeto com os técnicos do TSE — na parte de hardware, na parte de software e na parte de firmware criptográfico —, para que o projeto saia exatamente como o Brasil precisa.”

Em conjunto com as atividades promovidas pelo Tribunal Superior Eleitoral, os TREs realizam ações em seus estados sobre o sistema eletrônico de votação até a próxima sexta-feira (7).


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