Ataques a bomba no meio da eleição assustam na Colômbia

AMÉRICA LATINA

Ataques são atribuídos a uma facção dissidente das extintas Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), que não quis assinar acordo de paz

Ataque a bomba no meio da eleição mata pelo menos 21 na Colômbia (Foto: Reprodução)

(O Globo) Pelo menos 31 ataques de guerrilha foram registrados durante o fim de semana na Colômbia, em meio à campanha para as eleições presidenciais. Num deles, houve a explosão de uma bomba em uma rodovia no sábado que deixou dezenas de mortos, o pior ataque contra civis das últimas três décadas. Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, disse à rádio Caracol que o número de vítimas fatais subiu para 21, e outras 56 pessoas ficaram feridas.

Os ataques são atribuídos a uma facção dissidente das extintas Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), comandada pelo insurgente conhecido como Iván Mordisco, o criminoso mais procurado da Colômbia, que se recusou a assinar o histórico acordo de paz de 2016 e atualmente se financia principalmente com o tráfico de cocaína.

O governo atribui os ataques à uma represália dos rebeldes pela pressão militar após as negociações de paz fracassadas entre o presidente de esquerda, Gustavo Petro, e Mordisco.

— O terrorismo, quando empregado dessa maneira […], é porque a pressão é tão forte […] que a única opção é atacar os mais indefesos — afirmou Sánchez à Blu Radio.

‘Insegurança e desestabilização’

Com uma extensa superfície de cultivos de entorpecentes, o departamento de Cauca é um dos mais assolados pela violência das guerrilhas antes das eleições gerais de 31 de maio.

Petro chamou os rebeldes de “terroristas” e ordenou que as forças de segurança redobrassem a perseguição. Desde que chegou ao poder em 2022, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia tentou, sem sucesso, negociar a paz com as maiores organizações armadas, que se fortaleceram nos últimos anos.

A expansão desses grupos “fugiu ao controle do governo” e seus efetivos duplicaram em dez anos, chegando a 27.000 combatentes, assinalou o pesquisador da Fundação Ideas para la Paz, Gerson Arias.

Os principais candidatos presidenciais também condenaram os atos de violência. O herdeiro político de Petro e favorito nas pesquisas de intenção de voto, o senador Iván Cepeda, advertiu sobre o impacto eleitoral na região onde a esquerda tem “um amplo apoio”:

— Surge uma inquietação legítima sobre se […] estes fatos buscam gerar um clima de medo que favorece os interesses de setores de extrema direita — pontuou Cepeda.

O candidato de direita e advogado Abelardo de la Espriella, segundo colocado nas pesquisas, disse, por sua vez, que não se tratam de atos isolados, mas que os episódios “são parte de um plano de desestabilização do desgoverno de Petro”,

— Este governo permitiu que a violência cresça — afirmou a senadora conservadora Paloma Valencia, candidata do partido do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).


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