As conexões da advogada e influenciadora Deolane Bezerra com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, aparecem de diferentes formas nas provas coletadas pela Operação Vértix, afirmam promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Elas estão em diálogos encontrados nos celulares apreendidos, em áudios fornecidos à Justiça e, principalmente, em transferências bancárias rastreadas pelos órgãos de controle que “revelam que Deolane Bezerra Santos compõe o núcleo financeiro da organização criminosa”, no entendimento da acusação.
A denúncia contra Deolane e outrs seis suspeitos por organização criminosa e lavagem de dinheiro -entre eles Marcola, seu irmão e dois sobrinhos- foi entregue nesta quarta-feira (10) à Justiça. O documento tem 356 páginas e é assinado por sete promotores de Justiça do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-SP.
Em nota divulgada nesta quarta, a defesa de Deolane afirmou que ela “não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo”.
Os advogados Josimary Vilhena, Luiz Ricardo Imparato e Rogério Nunes afirmaram, ainda, que não tiveram acesso à peça da acusação e que responderão às acusações nos autos assim que forem citados.
O advogado Bruno Ferullo -que defende Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos- afirmou que vai “demonstrar a fragilidade narrativa acusatória e a improcedência das imputações” contra seus clientes.
Ele argumentou que tanto Marcola quanto seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho, estão presos e “submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados”.
Entre os principais indícios contra a influenciadora estão transferências de dinheiro que têm origem na Transportadora Lado a Lado, empresa que já foi “reconhecida judicialmente como veículo de lavagem de capitais do PCC”, como narra a denúncia. Segundo a investigação, a transportadora tem como sócios ocultos Marcola e seu irmão.