Bolsa fecha em alta com Oriente Médio e tarifas sobre o Brasil no radar; dólar recua

Wall Street reverte perdas após falas de Trump sobre guerra no Irã; Bolsas na Europa e na Ásia caem
Wall Street reverte perdas após falas de Trump sobre guerra – Reprodução

A Bolsa fechou em alta de 1,16%, a 174.197 pontos, nesta terça-feira (2), em um movimento de recuperação impulsionado pela notícia de que o Irã avalia uma proposta de acordo com os Estados Unidos.

O mercado também acompanhou os desdobramentos do anúncio de que o governo Donald Trump propôs uma tarifa punitiva de 25% sobre diversos produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais desleais.

O dólar, por outro lado, recuou e encerrou o dia em variação negativa de 0,22%, cotado a R$ 5,009.

O Irã está analisando uma proposta de acordo com os Estados Unidos para encerrar o conflito que já dura mais de três meses, de acordo com uma notícia da agência iraniana Mehr.

O governo iraniano, segundo a fonte ouvida pela agência, está adotando uma abordagem “severa” em relação às tratativas, considerando o que vê como um histórico de não conformidade dos Estados Unidos e desconfiança de longa data.

Já Donald Trump afirmou, na segunda-feira, que as negociações estavam em andamento e que haveria um acordo para estender o cessar-fogo e reabrir o estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo, já na próxima semana.

Trump tem dito repetidamente que as duas partes estão próximas de assinar um acordo de paz. Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a parlamentares nesta terça-feira que o Irã concordou em negociar aspectos de seu programa nuclear que anteriormente se recusava, mas declarou que isso não é uma garantia de que as conversações levariam a um acordo para acabar com a guerra.

“As notícias vão e voltam toda hora, mas o mercado hoje está com apetite por risco diante da expectativa de um cessar-fogo”, diz Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos.

Investidores têm se mostrado reticentes sobre as declarações, sobretudo por causa da contradição entre os discursos iranianos e norte-americanos e a falta de avanços concretos para encerrar o conflito. Os países chegaram a trocar ataques, apesar das tratativas.

O mercado anseia pela normalização das cadeias de suprimento globais e do tráfego pelo estreito de Hormuz.

Com o transporte das commodities estrangulado e a subsequente disparada de preços, investidores tem temido um repique inflacionário global —e, por consequência, a manutenção das taxas de juros de algumas das maiores economias do mundo em patamar restritivo, em especial a dos Estados Unidos.

Quando os juros de lá estão elevados, operadores costumam optar pela renda fixa americana, considerada um investimento praticamente livre de risco. Com a expectativa de um cessar-fogo, eles voltam a apostar em ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes.

No noticiário doméstico, o destaque esteve na conclusão da investigação comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil, no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio, e a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

O novo tarifaço seria uma resposta ao que o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) vê como práticas comerciais injustas do Brasil. O USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

Por meio de comunicado, o USTR, que é comandado pelo embaixador Jamieson Greer, afirma que propôs medidas de resposta para consulta pública, enquanto os “Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas”.

“Lancei esta investigação sob a Seção 301 por determinação do presidente Trump para tratar de preocupações antigas e persistentes dos Estados Unidos em relação a determinadas políticas e práticas comerciais do Brasil”, afirma Greer.

A decisão não gerou ” muitos impactos nos ativos por enquanto”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. Segundo ele, o conteúdo da medida exclui importantes itens da balança comercial brasileira, o que explica a baixa repercussão nos preços dos ativos locais.

A investigação exclui uma ampla lista de bens considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou cuja oferta doméstica é insuficiente. Entre eles estão diversos alimentos e produtos brasileiros, como carne bovina, castanha-do-pará, castanha de caju, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais. O documento também poupa aeronaves civis e outros componentes de aviação.

O ministério da Indústria e Comércio calcula que a medida irá afetar 21% das exportações brasileiras aos americanos. A XP projeta que cerca de US$ 9,5 bilhões, ou 25% do total das vendas nacionais aos EUA, estariam sujeitas ao aumento tarifário.

Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o principal impacto pode ser via prêmio de risco. “Mesmo que o efeito comercial direto seja limitado, a medida aumenta a percepção de incerteza sobre Brasil: risco de retaliação, piora diplomática, ruído regulatório e possibilidade de piora na relação com os EUA”.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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