Brasil busca voos diretos para Senegal para impulsionar comércio

O governo brasileiro trabalha para estabelecer voos diretos entre o país e o Senegal, visando diminuir o tempo e os custos de deslocamento para fomentar o comércio e o turismo entre as nações. Atualmente, não há conexões aéreas diretas, obrigando rotas via Europa, Oriente Médio ou outros pontos africanos, o que aumenta significativamente a duração das viagens.

A distância em linha reta entre Natal, no Rio Grande do Norte, e o Senegal é de cerca de 2,9 mil quilômetros, menor que para Lisboa ou Dubai. A embaixadora brasileira no Senegal, Daniella Xavier, destacou a necessidade de romper o ‘círculo vicioso’ em que a falta de conexões limita o comércio e o turismo, e vice-versa. Ela participou do Fórum Internacional de Dakar sobre a Paz e Segurança na África, realizado na segunda-feira (20) e terça-feira (21), onde enfatizou os benefícios para a África Ocidental, América Latina e Caribe.

Xavier relatou reuniões recentes com o ministro das Infraestruturas e Transportes do Senegal, Yankhoba Diémé, e a direção da companhia aérea estatal Air Senegal, visando parcerias de codeshare com empresas brasileiras ou de outros países como Marrocos, Etiópia e Turquia. Os laços entre Brasil e Senegal remontam ao período colonial, com raízes no tráfico de escravizados, incluindo a Ilha de Gorée, importante ponto de embarque para as Américas. A embaixada brasileira em Dakar foi aberta em 1961, seguida pela representação senegalesa em Brasília dois anos depois, a única do país africano na América do Sul.

No comércio, em 2025, o volume entre os países atingiu US$ 386,1 milhões, com superávit de US$ 370,8 milhões para o Brasil. A embaixadora avalia potencial para exportações senegalesas como amendoim, derivados de lírios-d’água, tecidos e produtos artesanais. Uma missão de 50 empresários brasileiros visitou o Senegal no ano passado para expandir investimentos.

Um exemplo de iniciativa é a criação da primeira indústria de genética agrícola no Senegal, anunciada em outubro do ano passado pela empresa brasileira West Aves, em parceria local. O investimento inicial de US$ 20 milhões visa produzir 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras, gerando 300 empregos diretos e mil indiretos, além de transferência de tecnologia. O projeto pode levar à autossuficiência na produção de aves e redução de 20% nos custos para o consumidor.

Outras áreas de cooperação incluem tecnologias agropecuárias, programas de merenda escolar e defesa. Ambas as nações compartilham visões multilaterais, como a defesa de reformas no Conselho de Segurança da ONU, onde buscam maior representação para o Sul Global.

A embaixadora senegalesa no Brasil, Marie Gnama Bassene, reforçou os compromissos compartilhados com multilateralismo, diplomacia e paz. O Senegal presidirá a Comissão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) de 2026 a 2030 e integra a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), liderada recentemente pelo Brasil. No fórum de Dakar, o ministro senegalês Cheikh Niang destacou a utilidade da participação brasileira nas discussões sobre paz e segurança na África, com representantes de 38 países presentes.

T CSM
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