A Braskem reportou um lucro líquido de R$ 1,446 bilhão no primeiro trimestre de 2026, número 107% superior ao lucro de R$ 113 milhões do primeiro trimestre do ano passado. No quarto trimestre, a Braskem havia registrado prejuízo de R$ 10,284 bilhões.
O Ebitda recorrente da companhia foi de R$ 1,006 bilhão no período, uma queda de 24% frente a igual período de 2025. A receita líquida, por sua vez, somou R$ 15,488 bilhões entre janeiro e março, com queda de 20% na mesma base de comparação.
O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG, que trouxe, no entanto, uma observação de ênfase, comentando sobre a incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia. A KPMG nota que as informações contábeis intermediárias indicam que, conforme balanço patrimonial em 31 de março de 2026, o passivo circulante excedeu o total do ativo em R$ 2,714 bilhões na controladora e R$ 10,718 bilhões no consolidado, e o patrimônio líquido era negativo em R$ 15,736 bilhões na controladora e R$ 16,233 bilhões no consolidado.
A companhia afirma que, no trimestre, apresentou consumo operacional de caixa de R$ 3,2 bilhões em função, principalmente, da variação negativa de capital de giro, impactada pela redução da disponibilidade de convênios de pagamento com instituições financeiras e fornecedores e pela recomposição de estoques, frente à otimização do quarto trimestre. O consumo recorrente de caixa foi de aproximadamente R$ 4,6 bilhões, explicado, principalmente, pelos pagamentos de juros semestrais dos títulos de dívida emitidos no mercado internacional, concentrados no primeiro e no terceiro trimestre
No quarto trimestre, a companhia registrou um lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 275 milhões (R$ 1,4 bilhão), em razão do maior lucro antes do imposto de renda associado à variação cambial positiva de US$ 546 milhões (R$ 2,9 bilhões) e da baixa de ativos fiscais diferidos, sem efeito na liquidez da companhia, com impacto líquido no resultado de cerca de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,7 bilhões) no imposto de renda e contribuição social realizada no quarto trimestre.
Endividamento
O saldo da dívida bruta corporativa era de US$ 9,4 bilhões ao fim do primeiro trimestre, considerando o saque da linha de crédito stand-by realizado em outubro de 2025.
A Braskem encerrou o trimestre com saldo de dívida líquida ajustada de US$ 8,5 bilhões, um aumento de 13% em relação ao trimestre anterior. A alavancagem corporativa da companhia encerrou o trimestre em 16,81 vezes, acima das 14,74 vezes no trimestre anterior e maior do que as 7,98 vezes no mesmo período de 2025.