O calor intenso voltou a chamar atenção na Copa do Mundo após o duelo entre Brasil e Escócia, em Miami, começar com os termômetros marcando 30ºC no fim da tarde e início da noite. A condição climática reforçou preocupações já levantadas por pesquisadores, pela Fifa e pela FIFPro sobre os efeitos das altas temperaturas nas partidas disputadas nos Estados Unidos, México e Canadá.
Uma pesquisa da Queen’s University Belfast identificou que 14 das 16 sedes do Mundial poderiam registrar níveis “potencialmente perigosos” de calor. O estudo foi publicado no International Journal of Biometeorology em janeiro do ano passado e levou em conta dados meteorológicos dos últimos 20 anos. Em maio, a World Weather Attribution Initiative alertou para jogos marcados para o México e para o interior e o sul dos Estados Unidos, destacando que a umidade elevada em regiões do litoral e do centro-oeste norte-americano pode tornar o calor ainda mais perigoso para a prática do futebol.
A FIFPro recomenda que partidas com temperatura a partir de 30ºC tenham pausas obrigatórias para hidratação. Quando o termômetro chega a 36ºC, a orientação é de interrupção ou até adiamento, até que atletas, comissões técnicas, arbitragem e torcedores estejam em segurança. A Fifa, por sua vez, informou que o calendário foi pensado para equilibrar “exigências esportivas, operacionais e de transmissão” e que os jogos ao ar livre nos horários de maior calor foram limitados e priorizados para estádios cobertos, sempre que possível.
A entidade também tornou obrigatória a pausa para hidratação nas 104 partidas da Copa, independentemente do clima. A interrupção de três minutos em cada tempo, porém, divide opiniões entre técnicos, atletas e torcedores, além de receber críticas pelo possível uso comercial do intervalo, hipótese rechaçada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, que afirmou tratar-se “puramente de uma questão esportiva”.
A FIFPro disse que pesquisas com capitães e técnicos de seleções apontaram que metade dos atletas considerou adequadas as pausas para hidratação. Já 20 cientistas de diferentes países defenderam, em carta aberta divulgada em maio deste ano, que a interrupção deveria durar pelo menos seis minutos, por considerarem três minutos insuficientes para reidratação e resfriamento corporal.
O alerta também se estende aos jogos futuros. Na fase de 16 avos de final, o Brasil enfrentará o segundo colocado do Grupo F, que pode ser Holanda, Japão ou Suécia, em Houston, às 12h no horário local, com previsão de 33ºC. O estádio contará com teto retrátil e ar-condicionado.