Falta de segurança e infraestrutura são alguns dos problemas que os comerciantes e frequentadores do Setor Comercial Sul (SCS) mais acham que prejudicam o local. O debate entre a população é se o SCS pode voltar a ser um grande polo comercial e de convivência para os brasilienses. Segundo especialistas, o potencial está ali e o desafio é colocá-lo em prática.
Para quem está diariamente no SCS, a revitalização é algo bem urgente. A vendedora Meire Silva, 52, disse ao JBr que a falta de segurança talvez seja o maior problema. Para ela, deveria existir uma política de assistência à população em situação de rua que vive no local. Além disso, ela também pontuou que são necessárias melhorias na infraestrutura do SCS. “Não tem banheiros. O que a gente usa por aqui é o da Codhab, mas quando lá está fechado a gente fica sem ter onde usar. O banheiro público não tem condições infelizmente”, destacou Meire.
Para Alexandre Kieling, professor de inovação, comunicação e economia criativa da UCB e coordenador do estudo revitalização do SCS, a questão central para resgatar o Setor Comercial Sul é criar um comitê de governança com todos os atores envolvidos, impactados ou interessados no território. “É essencial que a decisão e o empreendimento de cada ação que está apontada no estudo dê revitalização e criação do Polo Criativo Tecnológico que será iniciado. A decisão precisa do envolvimento de todos: governo, associações empresariais, academia e sociedade civil”, explicou o professor.
Para impulsionar o SCS
Segundo Kieling, é necessário alavancar os negócios atuais do SCS com incentivos e capacitação. “É preciso atrair novos negócios com a criação de hubs de inovação: games, audiovisual, Tecnologias da Informação e Comunicação. É preciso criar condições para uma agenda e eventos culturais, para um Corredor Gastronômico e uma rua 24 horas”, detalhou. No entanto, de acordo com o professor, é necessário também um decreto que crie esse Polo Criativo Tecnológico.
Para José Aparecido Freire, presidente do Sistema Fecomércio-DF, a criação do polo é um dos caminhos para reocupar e revitalizar uma região que já foi um dos principais centros comerciais de Brasília. “Hoje, o SCS possui dez prédios e cerca de 1,2 mil lojas e salas desocupadas, cenário que precisamos reverter. O estudo tem servido como referência para esse trabalho e propõe medidas que vão desde a criação de uma estrutura jurídica e de governança própria para o polo, capaz de atrair investimentos e coordenar projetos de revitalização, até a implantação de uma zona de uso misto, incluindo moradia”, comentou.
Segundo Freire, a ideia é trazer para a região não apenas empresas de tecnologia e inovação, mas também bares, restaurantes, comércio e outros serviços capazes de acompanhar o aumento da circulação de pessoas. “O Sistema Fecomércio-DF já contribui diretamente para esse movimento. Senac, Sesc e Instituto Fecomércio-DF, com unidades instaladas no SCS, somam hoje cerca de 10 mil pessoas circulando pela região. Estamos fazendo a nossa parte e trabalhando para que essas propostas avancem e o Setor Comercial Sul volte a ser uma área dinâmica, ocupada e economicamente relevante para Brasília”, completou.
Ao Jornal de Brasília, a Secti-DF informou que o projeto de revitalização do SCS está estruturado em etapas que envolvem o diagnóstico da região, a estruturação e implantação do Polo e o desenvolvimento de propostas urbanísticas e arquitetônicas para o Setor Comercial Sul. Segundo a pasta, o diagnóstico e o estudo técnico já foram realizados, e o momento atual é de avanço para implementação das propostas e definição dos instrumentos de governança e das intervenções necessárias. A secretaria não deu prazos quanto a isso.