Os Correios devem lançar ainda neste ano uma segunda edição do PDV (Programa de Desligamento Voluntário), parte do plano de reestruturação para salvar as contas da empresa. A iniciativa surge após a primeira edição do programa ter uma adesão abaixo do esperado.
No programa deste ano, a participação de funcionários ao PDV atendeu a apenas 32% da meta estipulada pela diretoria. A previsão era ter 10 mil empregados desligados neste ano, 12,7% do atual quadro de pessoal dos Correios.
A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha com fontes ligadas à reestruturação e com a assessoria de imprensa da companhia.
O presidente da empresa, Emmanoel Rondon, já minimizou a adesão abaixo da meta ao PDV ao anunciar os resultados do plano de reestruturação.
Como mostrou a Folha, a empresa projetou uma economia de R$ 1,4 bilhão para 2027, se a meta de 10 mil adesões ao PDV fosse atingida. Mas, segundo a estatal, a economia com os 3.181 desligados será equivalente a 40% da meta projetada.
“Está coerente com o que precisávamos. Temos 40% da economia projetada. Enxergamos um payback de cinco meses. Como o salário médio foi mais alto do que tínhamos projetado, o resultado deve ser maior”, afirmou Rondon.
O prazo inicial de adesão ao programa se encerrava em 31 de março, mas a diretoria dos Correios prorrogou até 7 de abril, na tentativa de atrair mais empregados. Cerca de um terço dos participantes ingressou no programa nas duas últimas semanas do prazo de adesão.
No PDV de 2024 e 2025, foram 3.756 desligamentos. De acordo com a empresa, a medida representou uma economia de R$ 147,1 milhões em 2025 e de R$ 775,7 milhões em 2026. O período da adesão, no entanto, foi de 12 meses, maior do que o deste ano, que durou apenas dois.
Um novo PDV já era esperado para que a empresa alcançasse as metas projetadas no plano de reestruturação, que previa o retorno ao lucro em 2027. Hoje, a folha de pagamento com funcionários é um dos principais gastos da empresa.
Os Correios tiveram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, mais do que o triplo do resultado negativo registrado no ano anterior, após uma queda na receita total.
O plano de reestruturação dos Correios foi anunciado no fim de 2025 como contrapartida para um empréstimo de R$ 12 bilhões concedido pelos cinco maiores bancos do país, com o objetivo de salvar as contas da empresa. Em caso de inadimplência da estatal, a União, que dá garantia ao empréstimo, vai arcar com os pagamentos.