Da primeira venda à pé ao sucesso no mercado imobiliário do DF

O convidado para esta edição do JBr Entrevista é o empresário e pré-candidato à Câmara Legislativa Daniel Conde. Atuante no mercado imobiliário e do agronegócio, ele fala de sua carreira e trabalho em dois dos mais importantes setores da economia do Distrito Federal. Para finalizar, ele conta ainda sobre seu trabalho com comunidades carentes e do convite para disputar uma vaga de distrital feito pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Quem é o Daniel Conde?

É interessante falar um pouco da história porque eu acredito que Brasília é uma cidade que começou em 1960, mas existiram pessoas que chegaram antes, que é o caso da minha família. Meu pai chegou aqui em 1958. Sou descendente de italianos e espanhóis, de famílias de empreendedores — como os gaúchos, os paranaenses e os catarinenses, de quem falávamos há pouco. O Brasil é uma diversidade de povos, de línguas e de nações. A minha família chegou aqui no início do século XX, no norte do Espírito Santo, em São Mateus. Tanto o meu tataravô italiano quanto o meu bisavô espanhol chegaram à cidade de São Mateus, ao norte de Vitória e próximo à Bahia. Terra de praia, mas eles vinham para trabalhar. E trabalharam muito. Meu tataravô foi ser produtor rural no norte do estado, e o meu bisavô já era comerciante na Espanha. Então, quando veio para o Brasil em busca de oportunidades, ele veio para fazer negócios. Ele tinha uma importadora no Espírito Santo. Depois, a família se mudou para Vitória, que hoje é uma grande capital. 

E como começou a história de vocês com Brasília?

Em 1958, meu pai resolveu vir para Brasília, ainda um menino. E aqui ele veio e fez a vida dele: estudou, se formou na primeira turma de Psicologia do Ceub e fez carreira no Senado Federal. Ele passou mais de 30 anos trabalhando dentro do Senado Federal, sendo, inclusive, servidor do ano. Um dedicado servidor público do Senado. Ele se chamava Fernando Conde. Mais conhecido como Conde, no Senado Federal. Enfim, no nosso meio de convívio social, de cristãos e de amigos, o nome pelo qual todo mundo o conhece em Brasília é Conde. E é o nome que eu adotei profissionalmente mais tarde.

E como foi sua trajetória pessoal?

Eu estudei toda a minha infância em escola pública. Naquela época não tinha internet ainda, então as brincadeiras eram pingue-pongue, bets, bicicleta, motocross, pique-esconde. Cresci aqui na década de 1980, em Brasília. Foi um período maravilhoso. A cidade era muito segura e ainda era pequena. A nossa geração conviveu com muita tranquilidade aqui dentro de Brasília. Mas a cidade cresceu bastante. Hoje é uma grande metrópole, uma das maiores cidades do Brasil, e a gente sabe que há uma série de desafios. 

Como foi o início no empreendedorismo?

Eu comecei a empreender desde muito novo, desde criança, de fato. Minhas primeiras negociações começaram na escola mesmo, vendendo figurinhas e papéis de carta. Depois, vendendo canetas, lapiseiras e borrachas. Mais tarde, comecei a comprar e vender bicicletas. Na adolescência, passei a comprar e vender carros. Enfim, fui empreendendo em vários segmentos; cheguei a mexer com padaria e confeitaria, tudo isso bem novo. Servi ao Exército e foi uma experiência fantástica. Mas no mercado imobiliário eu também comecei novo. 

Como foi o seu início no setor imobiliário e como você enxerga o mercado de quando começou em comparação com o cenário atual?

Aos 21 anos, tive a oportunidade de um emprego. Eu estava trabalhando com carros, mas recebi um convite para conhecer o mercado imobiliário e me apaixonei. É um mercado muito dinâmico: você conhece muita gente, se relaciona, faz muitos amigos e, consequentemente, faz negócios. Eu costumo dizer o seguinte: primeiro você faz amigos, depois você faz negócios. Isso aconteceu de forma espontânea. Recebi um convite de um parente, na época, que já mexia com imóveis. Eu nunca imaginei que fosse atuar nessa área. Estava estudando, fazendo faculdade de Administração no Ceub, quando recebi o convite. Fui conhecer o mercado e me apaixonei. Aí começou uma trajetória muito difícil, porque, na época em que iniciei, o mercado imobiliário era extremamente concorrido. Já existiam grandes empresas em Brasília.

O que você recorda dessa época?

Quem é do mercado imobiliário sabe o que vou dizer agora: para você de fato se destacar, precisa ter confiança. E a confiança não vem da noite para o dia; só se adquire com o tempo. É um mercado com o qual as pessoas têm um certo preconceito e muita desconfiança, porque você está lidando com valores expressivos e com o bem da família. Às vezes, é o patrimônio de uma vida inteira, tudo o que a pessoa tem. É o patrimônio mais importante dela. Então, eu sempre tive muito cuidado e muita responsabilidade para entender que as pessoas não estavam transacionando apenas uma questão financeira, mas sim transacionando sonhos. Todo mundo tem o sonho de ter uma casa ou um apartamento.

Conte uma situação para ilustrar.

O que eu comecei a perceber logo no início, quando comecei praticamente do nada, é que eu trabalhava em uma barraca na frente da casa dos meus pais, aqui no Lago Norte. Sabe aquelas barraquinhas de cachorro-quente ou de churrasquinho? Comecei literalmente ali, vendendo imóveis no final de semana. Eu trabalhava aos sábados, domingos e feriados. Por quê? Porque identifiquei que era nos finais de semana e nos feriados que as pessoas tinham mais disponibilidade de tempo e paciência para conhecer um imóvel. Durante a semana a vida é muito corrida para todo mundo: é escola, trabalho, afazeres, compromissos sociais, igreja… No final de semana, a pessoa dedicava um tempo maior para visitar os imóveis. Só que, quando comecei, não tinha internet. O que havia era o Jornal de Brasília e outros. Esse era o classificado, o jornal era dessa grossura. Eu tinha que decorar os anúncios para entender o mercado, porque não existiam outras opções. Para conhecer os imóveis, balizar valores e fazer avaliações, você tinha que estar muito bem atualizado. Eu tive essa sacada e passei a me dedicar muito aos finais de semana. Tinha dia que eu começava às sete da manhã e não tinha hora para parar. Já cheguei a ir até uma ou duas horas da manhã do dia seguinte mostrando imóvel. Teve uma época em que precisei mostrar o mesmo imóvel mais de 100 vezes para conseguir vendê-lo. O mesmo imóvel.

Como foi a primeira venda?

Na primeira venda que fiz, eu vendi o imóvel a pé, porque estava sem carro. Eu tinha um Fusquinha, mas precisei vendê-lo para pagar umas contas. Era um apartamento na 105 Norte. A primeira venda você nunca esquece, é a que mais marca. Eu estava há seis meses no mercado, trabalhando duro, e não vendia nada porque não tinha relacionamento nem experiência. Naquela época era muito mais difícil; hoje é mais fácil porque existem redes sociais e portais imobiliários. Mas eu insisti por seis meses trabalhando no sol e, no sexto mês, sabe quantos imóveis eu vendi? Sete. Vendi sete imóveis em um único mês. Aquele dinheiro foi maravilhoso. Sustentou-me por muito tempo e me ajudou a fechar negócios volumosos para a época. Aí eu tomei gosto e fui embora.

E como você enxerga o mercado hoje?

O mercado imobiliário sempre vai ser excelente. Tem um ditado que diz: “Quem compra terra não erra”. Nossos avós e nossos pais conhecem bem esse ditado. O mercado imobiliário oscila, funciona em ciclos, mas está sempre valorizando. Em Brasília, por ser a capital do país, temos um fluxo muito grande de pessoas chegando e saindo. A política facilita muito isso, porque há trocas de governos estaduais e do governo federal. Essa rotatividade torna o mercado imobiliário mais dinâmico. Existe também a questão da especulação imobiliária, que é um assunto complexo sobre o qual podemos falar em outros programas para não nos estendermos muito hoje, mas ela ocorre de forma natural. Brasília e os seus imóveis são muito valorizados. Nos últimos quatro anos, os imóveis na região de Brasília valorizaram bastante. Mas nós temos regiões excelentes hoje, como Samambaia, Taguatinga, Riacho Fundo, Recanto das Emas. No Distrito Federal, de forma geral, quem compra imóveis nunca perde. É assim que eu vejo o mercado.

O senhor também tem uma notoriedade na questão do voluntariado. Conte-nos um pouco?

Eu tive essa experiência por meio de grupos religiosos. Sempre fui religioso desde pequeno, criado em uma família cristã. Dentro da igreja, tive a oportunidade de atuar e trabalhar com projetos sociais. Por causa disso, eu conheço a Papuda toda, o Núcleo de Custódia, os hospitais de Brasília. Já fiz muito trabalho social nas ruas e nas comunidades do DF. São realidades em que a gente passa a conviver de perto com a dor e com o desespero das pessoas; passamos a ver o que o povo realmente está sofrendo.

O que lhe marcou durante esse tempo?

Tenho muitas histórias marcantes dessas experiências. Uma vez, por exemplo, fomos fazer um trabalho embaixo de uma ponte. Nessa época, Brasília ainda não tinha tantas famílias morando embaixo de pontes. Chegamos ali e havia uma família embaixo de uma lona, com várias crianças dentro. Nós levamos não apenas o alimento físico, mas também o alimento espiritual. Eu vejo que isso é algo que falta muito para as pessoas hoje: está faltando esperança. Estamos vivendo um período de muita desesperança. Nas nossas ações sociais e voluntárias, nós não estamos apenas entregando algo para as pessoas, nós estamos recebendo. Isso vale para tudo o que fazemos, tanto no social quanto no empreendedorismo. No mercado imobiliário, nós também estendemos a mão para muitas pessoas. Hoje, temos centenas ou até milhares de profissionais e donos de empresas que talvez estejam me escutando agora e que começaram trabalhando conosco. Muitas vezes a pessoa não tinha uma profissão, não sabia o que seria da vida, recebeu ajuda e transformou isso em força para vencer. Hoje, sustentam suas famílias e seus negócios. Isso, de certa forma, é um alimento espiritual. Acredito muito naquele ditado que diz: “É dando que se recebe”. Hoje vejo que as pessoas na sociedade querem muito receber, mas a lei espiritual é clara: quando você dá, você recebe.

Você possui um canal no YouTube. Conte-nos um pouco.

Nós temos um canal que está começando, chamado Conde com Conde, e temos a nossa rede social onde propagamos essa mensagem de bem, de fé e de esperança. O meu perfil é @condedaniel. Se colocar “Conde” lá, já vai aparecer. Temos muitas histórias para contar. Temos rodado Brasília, visitado muitas comunidades, feiras, rodoviárias e praças para conversar com as pessoas e sentir o termômetro do que a população está passando atualmente. Temos passado por momentos políticos turbulentos, por isso estamos conversando com o povo para entender as demandas e as dores, buscando trazer soluções e respostas. Como eu disse, vejo que falta fé e esperança. Muita gente está sofrendo com problemas emocionais fortes porque deposita a sua esperança apenas em políticos, em líderes ou em situações externas. Quantas famílias nós sabemos que passam por momentos difíceis dentro de casa? Às vezes o pai passa por um problema no trabalho, perde o emprego, recorre à bebida, começam as brigas com a esposa e a família se desestrutura. O que nós estamos precisando hoje não é de briga, polarização ou discussão; o que precisamos é de fé e esperança.

Como é sua atuação no agronegócio?

O Distrito Federal é um dos maiores produtores de HF (hortifrúti) do Brasil. Nós temos aqui condições climáticas muito favoráveis para a produção de alguns tipos de alimentos. O trigo em Brasília, por exemplo, tem uma condição excelente por conta da altitude e da amplitude térmica (troca de temperaturas). Isso favorece muito a qualidade do trigo, da soja, do sorgo e do milho. Quando a parte agrícola começou no Distrito Federal, ela se mostrou muito pujante. Temos aqui ao lado o município de Cristalina, que é um dos maiores municípios do agro irrigado no Brasil, e temos o PAD-DF, que todos conhecem. Há 50 anos, não se produzia soja no Centro-Oeste do Brasil; a produção concentrava-se no Sul, com os gaúchos, catarinenses e paranaenses. Depois eles levaram a cultura para o Mato Grosso.

E qual sua relação com esse mercado do agronegócio do DF?

Aqui no DF, essa produção de soja começou na fazenda da família da minha esposa. O avô dela veio para cá no início da década de 1970 para produzir soja, numa época em que ela não existia na região. O primeiro experimento de soja no Cerrado começou lá na fazenda, na década de 1970, em parceria com a Embrapa e com a Emater. Se as pessoas pesquisarem, vão ver que eles foram os pioneiros na plantação de soja no Cerrado. Depois vieram os outros produtores gaúchos e as demais famílias tradicionais que conhecemos no PAD-DF, como os Cencis, os Bonatos e os Triacca. Mas a família Souza Lima foi a pioneira a plantar e a ajudar a desenvolver a genética da soja para o Cerrado. Antigamente, você plantava a soja convencional aqui e o grão morria, porque ela não tinha resistência genética ao clima da região. Essa soja foi desenvolvida lá.

O senhor possui bom trânsito político. O senhor tem pretensões para este ano?

Eu recebi um convite da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e, de fato, tomei coragem. Meus amigos até dizem: “Você tem que ter muita coragem”. Já faz mais de duas décadas que eu vinha recebendo convites para entrar na política, mas eu nunca quis, apesar de estar sempre envolvido nos bastidores ajudando amigos e familiares. Desta vez, tomei a decisão de servir ao meu quadradinho, servir ao povo do Distrito Federal. 

E por que tomou essa decisão agora?

Acredito que existem duas formas de as pessoas irem para a política: por interesse ou por propósito. No meu caso, estou indo por um propósito de vida, dando continuidade a tudo o que já venho fazendo na questão social, no empresariado, no empreendedorismo e no setor produtivo. Acredito que posso contribuir com o nosso DF. Estamos passando por momentos difíceis, mas volto a falar: o que está faltando é fé, esperança e mudança. Aceitei o convite da senadora Damares, estou vindo pelo partido Republicanos e sou pré-candidato a deputado distrital. Estou aqui para servir a população e a todas as classes sociais, independente de religião, nível social ou cor. Estou muito feliz e animado com esse convite e com esse propósito.

Daniel Conde em entrevista ao Jornal de Brasília/ Foto: Rodrigo Lima

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Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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