MAIS CASOS
Estudante diz que professor a humilhou em público, em frente a técnicos de enfermagem, e disse que mãe nenhuma deixaria filho com ela
‘Não venham de short porque sou casado’: aluna traz novos relatos de assédio contra professor da UFG (Foto: Pixabay)
Depois que o Mais Goiás trouxe a público as primeiras denúncias de assédio sexual contra um professor do curso de Enfermagem que estaria se beneficiando da omissão da reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG), novos relatos começaram a surgir – dessa vez, de assédio moral. Uma ex-aluna procurou a reportagem para relatar episódios de humilhação aos quais foi submetida na época do curso.
“Em 2014, ele me ouviu falar para minha amiga que eu gostaria de seguir na área da pediatria e disse: ‘que mãe vai deixar o filho com você? Você não serve para ser enfermeira, que dirá pediátrica”, relata a ex-aluna. “Em outra vez, eu estava com paciente em processo de cuidados paliativos e ele disse que se o paciente morresse, a culpa seria minha porque não convenci a médica a prescrever mais medicação”.
Outro relato da mesma estudante remonta ao primeiro dia de aula na disciplina de enfermagem clínica. “Ele disse que as alunas não deveriam ir de short pois ele era casado. Minha turma era composta exclusivamente por mulheres”.
Essa mesma aluna conta que, em outro momento, esqueceu o crachá na casa do namorado e pediu a ele que o levasse para ela no hospital. “Ele gritou comigo no corredor da clínica médica, dizendo que eu estava me agarrando com um homem no meio do hospital. No ano seguinte ele afirmou que eu havia ‘melhorado’, porque antes eu só me agarrava com o meu namorado no hospital e em 2015 eu já tinha ‘cara’ de enfermeira”.
“Desenvolvi uma úlcera na época em que fui aluna dele e, durante uma prova, eu tive que sair para vomitar sangue”, complementa.
O que diz a UFG
As alunas e professoras que conversaram com o Mais Goiás foram unânimes ao dizer que o professor é reincidente em casos de assédio moral e sexual e que nenhuma medida é tomada no sentido de afastá-lo, embora muitos processos administrativos já tenham sido abertos.
Em nota, a UFG diz que publicou uma portaria determinando o afastamento do docente no dia 24 de abril de 2026, pelo prazo de 60 dias e prorrogáveis por mais 60, até que tramite o processo administrativo da vez. “O servidor em questão fica afastado de todas as atividades”, diz a nota. Ele continuará recebendo salário enquanto isso.