O dólar recua nesta sexta-feira (8), com dados do payroll mais fortes do que o esperado em abril reforçando uma postura mais cautelosa do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), enquanto negociações no Oriente Médio seguem no radar dos investidores.
Às 12h09, a moeda norte-americana caía 0,51%, cotada a R$ 4,896. Na mínima da sessão, o dólar chegou a R$ 4,891, o menor nível desde janeiro de 2024.
No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,89%, aos 184.902 pontos, recuperando parte das perdas da véspera, quando recuou 2% ao longo do pregão.
O principal fator do pregão é a divulgação dos dados de emprego de abril nos Estados Unidos. A economia norte-americana abriu 115 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, acima da expectativa de 62 mil vagas, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho em relatório divulgado nesta sexta-feira. A taxa de desemprego permaneceu em 4,3%.
O indicador é a principal referência do mercado para acompanhar o emprego nos EUA. Os dados reforçaram a percepção de resiliência da economia norte-americana e as expectativas de que o Fed manterá os juros inalterados por mais algum tempo.
Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o resultado confirma um mercado de trabalho equilibrado e resiliente, mesmo em meio ao conflito no Oriente Médio. “Ao observar os indicadores de indústria, varejo e emprego de forma integrada, o Fed enxerga uma economia que não demanda qualquer tipo de afrouxamento monetário neste momento.”
Segundo ele, os dados sinalizam que o foco do Fed deve se deslocar para o monitoramento da inflação, “especialmente no que diz respeito aos impactos do conflito”. “Esse cenário é consistente com a postura que Powell indicou na última reunião do Fed: aguardar e observar antes de sinalizar qualquer movimento”.
Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, também destaca que o Fed ganha mais conforto para definir a trajetória de juros, “afastando os temores de uma desaceleração econômica que flertava com o risco de estagflação -quando crescimento esfria e a inflação aumenta”.
Os dados repercutem no exterior, onde o dólar cai e as Bolsas sobem. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana, recuava 0,37%. Nos EUA, S&P 500 e o Nasdaq atingiram máximas recordes nesta sexta, ao marcarem 7.422 pontos e 29.047 pontos, respectivamente.
Os dados também sinalizam que o diferencial de juros do Brasil deve se manter, principalmente em relação aos EUA. No final de abril, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. No mesmo dia, o Copom anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic a 14,5% ao ano.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, esse é um dos fatores que beneficiam o mercado doméstico e ajudam a explicar a valorização do real e Bolsa ao longo de 2026.
“O Brasil tem possui alguns fatores particulares. Além de atrair fluxo para a Bolsa devido a essa realocação geográfica, o país oferece um diferencial de juros importante. O real é uma das moedas com maior carrego entre os emergentes e, ao mesmo tempo, é extremamente líquido para o investidor internacional montar e desmontar posições”, afirma.
Para ele, investidores estão aumentando exposição a emergentes por conta da política econômica do governo norte-americano e vendo o país como um mercado com juros atrativos, espaço para corte de juros no futuro, inflação convergindo para a meta e um Banco Central responsável. “Tudo isso sustenta esse fluxo para o país”.
O pregão também é marcado pela confronto envolvendo EUA e Irã no Oriente Médio. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que um cessar-fogo ainda permanece em vigor, apesar da intensificação dos combates na região.
Na quinta-feira, Trump afirmou que três destróieres da Marinha dos EUA foram atacados enquanto atravessavam o estreito de Hormuzm via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gá.
Os Emirados Árabes Unidos também disseram que suas defesas aéreas estavam enfrentando ameaças de mísseis e drones do Irã no início da sexta-feira, embora os detalhes fossem escassos.
Na quarta-feira, um porta-voz do Paquistão afirmou os dois países estão próximos de um acordo. O tratado envolveria três pontos: o fim formal da guerra, o desbloqueio no estreito de Hormuz e uma janela de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo, segundo as pessoas ouvidas.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que o país persa está analisando a proposta e que comunicará sua posição ao mediador, o Paquistão, segundo a agência estatal Isna.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, “o mercado pondera entre a sinalização de Trump de que o cessar-fogo segue em vigor e o ceticismo crescente em relação à possibilidade de um acordo definitivo de paz”.
O conflito no Oriente Médio bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz. A paralisação tem gerado um temor de um repique inflacionário global por levar os preços de petróleo a dispararem. Nesta sexta, o contrato de julho do petróleo Brent, referência mundial, subia 1,34%, a US$ 101,43.