Estudo examina a capacidade de resistência da bactéria causadora da hanseníase frente ao tratamento.

Andréia Barros (D) com a apoiadora clínica de hanseníase Maria José Neiva: “Acho que se eu não tivesse passado por uma enfermeira que conhecia a doença, até hoje estaria tendo reação sem saber o que era” | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Pesquisa realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) utiliza o sequenciamento genético para investigar se mutações podem interferir na eficácia dos medicamentos.

O Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) elaborou um protocolo com o objetivo de compreender a razão pela qual alguns pacientes com hanseníase não respondem de maneira adequada ao tratamento. A iniciativa surgiu em resposta a uma demanda das equipes de saúde da rede pública, que frequentemente enfrentam incertezas quanto à ausência de resultados nas intervenções medicamentosas.

Para abordar essa questão, a pesquisa realiza o sequenciamento genético do microrganismo para identificar mutações que podem conferir resistência à bactéria em relação aos antimicrobianos utilizados no tratamento. Fabiano Costa, gerente de Biologia Médica do Lacen, destaca a peculiaridade da hanseníase, onde a cultura do microrganismo não pode ser realizada no laboratório, impedindo a realização de testes de sensibilidade convencionais.

O protocolo em desenvolvimento utilizará técnicas moleculares para avaliar o perfil do bacilo de Hansen, indicando se houve ou não mutação. Isso é especialmente relevante para evitar a espera por resultados negativos de baciloscopia após longos períodos de tratamento, fornecendo aos médicos informações mais rápidas sobre a possível resistência bacteriana.

Atualmente, o processo está em fase de estudo, sendo aplicado apenas a amostras do Distrito Federal. A expectativa é que, em breve, o protocolo possa ser incorporado na rotina de pacientes e profissionais de saúde da rede pública, com o objetivo de se tornar uma referência no combate à hanseníase.

A hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, é transmitida por meio de gotículas de saliva. Seus sintomas podem demorar de dois a sete anos para se manifestarem, sendo os primeiros sinais muitas vezes difíceis de diagnosticar. O acompanhamento adequado e a conclusão do tratamento são cruciais para evitar sequelas graves, e a pesquisa em andamento busca aprimorar a detecção precoce e o manejo eficaz da doença.

Tribuna Livre, com informações do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF)

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