A ex-suplente de vereadora de São Sebastião Pauleteh Araújo diz ter sido excluída de uma homenagem promovida pela Câmara Municipal, no litoral norte de São Paulo, a mulheres que já ocuparam cadeiras no Legislativo da cidade.
Segundo Pauleteh, sua foto não apareceu no mural oficial, apesar de ela ter assumido legalmente o cargo de vereadora suplente, tornando-se a primeira mulher trans negra da história do município a ocupar uma cadeira na Câmara.
Em nota, a Casa afirmou que “não compactua com qualquer forma de discriminação” e reiterou compromisso com o “respeito institucional e a legalidade”.
Segundo a instituição, a relação utilizada para a composição da homenagem foi baseada em registros e informações oficiais disponíveis nos sistemas administrativos e órgãos de controle.
Pauleteh Araújo exerceu o cargo de vereadora suplente na legislatura de 2021 a 2024 e afirma ter sido excluída de homenagem da Câmara de São Sebastião, no litoral norte paulista Divulgação/Leoncio Correia A vereadora suplente Pauleteh Araújo, do PSOL de São Sebastião (SP) Imagem pequena **** A denúncia ganhou repercussão nas redes sociais após manifestações públicas de apoio e críticas à Câmara Municipal. A atriz Luana Piovani comentou sobre o caso, enquanto a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) questionou a ausência da ex-vereadora em publicação feita no Instagram.
“Onde está a foto da @pauleteh”, escreveu Erika Hilton.
Pauleteh afirma que sua passagem pela Câmara já havia sido marcada por episódios de perseguição, ataques transfóbicos e tentativas de impedir sua posse como suplente.
Para ela, a exclusão da homenagem não se trata de um erro pontual, mas de mais um episódio de apagamento político e histórico de pessoas trans e negras em espaços de poder.
Pauleteh afirma que o caso representa um episódio de transfobia institucional dentro do Legislativo municipal.
“Meu nome e minha foto, como uma pessoa trans, negra e a primeira da história de São Sebastião, tinham que estar ali”, afirmou.
À Folha de S.Paulo Pauleteh disse estar “revoltada, enfurecida, mas não surpresa” com a exclusão da homenagem.
“Principalmente vindo dessa Câmara, que pratica violência em cima de violência contra mim, e tendo ciência de que esse país odeia pessoas trans”, afirmou.
Apesar disso, ela diz estar “feliz de poder lutar” e de ver a repercussão do caso nas redes sociais.
A Câmara afirmou ainda que a solenidade teve caráter institucional e que “não houve qualquer direcionamento ou distinção motivada por identidade de gênero”.
Sobre os questionamentos envolvendo a posse de Pauleteh em 2022, o Legislativo informou que as questões relacionadas à convocação e exercício do mandato foram tratadas à época “nos meios administrativos e judiciais cabíveis”.