São Paulo, 7 – Num momento em que o governo Trump ameaça impor nova tarifa sobre produtos brasileiros, a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro atingiu no primeiro semestre deste ano seu menor patamar histórico. É o que mostra uma pesquisa da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), que considerou dados compilados desde o primeiro semestre de 1997.
Nos seis primeiros meses deste ano, os EUA responderam por 9,4% das exportações brasileiras e por 11,1% na corrente global de comércio (exportações e importações somadas) do País. Para efeito de comparação, essa participação estava em 12,1% (no caso das exportações) e 13,8% (corrente de comércio) no primeiro semestre de 2025 – antes da entrada em vigor do primeiro tarifaço.
Pela pesquisa, o comércio entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras para o mercado americano no período recuaram 13%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões.
O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (11,5%) e para parceiros relevantes, como China (21,9%) e União Europeia (12,8%), desde o início do ano. Ainda assim, os EUA permanecem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil em bens (a China está em primeiro lugar) e maior destino das exportações industriais.
A Amcham destacou que os bens submetidos às sobretaxas do governo Trump responderam pela maior parte da retração das exportações brasileiras no período. Enquanto as vendas de produtos sobretaxados caíram 16,6%, as exportações de bens sem sobretaxa recuaram 8,7%.
“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, em referência a capítulo da lei de comércio dos EUA que embasa a proposta de nova taxação.
Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico (como o Pix), tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.