Ferran Torres fez uma Copa do Mundo em baixa até decidir o bicampeonato da Espanha. Ele foi um dos jogadores com mais chances claras perdidas na primeira fase. A bola que entrou, porém, foi a que mais valeu. Torres, com nome “no plural”, assina sozinho um título marcado pelo domínio coletivo espanhol.
O atacante do Barcelona invadiu a área após Nico Williams escorar cruzamento de Pedro Porro. Encheu o pé e finalmente estufou as redes de Dibu Martínez, intactas por mais de 105 minutos.
Em 2010, Andrés Iniesta era um dos principais jogadores do planeta e deu a primeira Copa do Mundo à Espanha com um gol na prorrogação. O camisa 7 repete o roteiro sem o mesmo lugar, mas se coloca, também, independentemente do nível individual, no patamar dos grandes ídolos de La Roja.
O Gol Que Mais Importa
A primeira fase do camisa 7 havia sido marcada por gols perdidos Ele destoou positivamente diante de Portugal, nas oitavas, quando achou o passe para Mikel Merino fazer o gol da vitória. Os jogos contra Bélgica e França foram de participações tímidas. Não era como se a equipe precisasse e muito menos dependesse do atacante.
O gol sobre a Argentina faz qualquer torcedor espanhol esquecer qualquer falha, como a afobação com a bola em chegadas ofensivas na final. Entrando aos 17 minutos do segundo tempo no lugar do artilheiro Mikel Oyarzabal, ele recebeu passes na entrada da área e perdia com facilidade para a defesa argentina.
O jogo já havia ido para a prorrogação, com o principal ator sendo o goleiro Dibu Martínez. Ainda que sem defesas como a que fez diante de Kolo Muani em 2022, o arqueiro argentino salvou quando foi exigido e foi o responsável por chances espanholas não virarem gol. O milagre veio em cabeçada de Nico Williams no começo da prorrogação.
Nada o goleiro pode fazer no chute de Ferran Torres para surpreender os 80 mil presentes no MetLife Stadium. Ele também ficou batido minutos depois com o segundo gol do camisa 7, anulado por um ombro impedido.
Em um time que joga como um organismo, com cada um exercendo sua parte, há pouco espaço para brilho individual. Nesta Copa, ouviu-se falar de Lamine Yamal, Rodri e Oyarzabal. A quem ainda não conhecia, Ferran Torres disse, com um chute: “Muito prazer”.