21/12/2025

GDF aumenta repasses às cooperativas e leva dignidade a catadores de recicláveis

O governo conta com 42 contratos com 31 organizações, sendo 22 de coleta seletiva e 20 de triagem, compostas por mais de mil catadores que saíram da informalidade | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Repasse em 2024 já chega a R$ 20 milhões, 23% a mais do que o mesmo período de 2023. Desde 2019, mais de R$ 215 milhões foram destinados para contratos com a categoria por meio do SLU

Nos últimos anos, o Governo do Distrito Federal (GDF) tem aumentado significativamente os investimentos nas cooperativas de materiais recicláveis, resultando em mais qualidade de vida e  benefícios para os catadores. Apenas no primeiro trimestre de 2024, foram repassados R$ 19,6 milhões em contratos de coleta seletiva, triagem e comercialização de materiais firmados com cooperativas do DF, representando um aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre 2019 e 2023, os investimentos cresceram 278%, com os aportes passando de R$ 14 milhões para R$ 53 milhões. No total, desde o início da gestão do governador Ibaneis Rocha, o GDF já destinou mais de R$ 215 milhões às cooperativas por meio do Serviço de Limpeza Urbana (SLU).

Atualmente, o governo conta com 42 contratos com 31 organizações, sendo 22 de coleta seletiva e 20 de triagem, compostas por 1.004 catadores que saíram da informalidade e conquistaram melhores condições de trabalho, dignidade, acesso a direitos e benefícios sociais, redução dos riscos à saúde e ao meio ambiente e participação na gestão compartilhada dos processos de reciclagem.

É o caso das catadoras que atuam na Central de Reciclagem do Varjão (CRV), cooperativa formada somente por mulheres que encaminha mais de 50 toneladas de materiais por mês para reciclagem . O grupo de 26 mães solo tem contrato com o SLU para triagem e coleta seletiva nas regiões administrativas do Varjão e Lago Norte. A presidente Ana Carla Borges destaca os benefícios para a entidade após o acordo.

“Estamos aqui desde 2008 e, de 2019 para cá, muita coisa mudou. A gente tem um contrato que garante o pagamento de todas. Antes fazíamos quase de graça, agora conseguimos pagar os impostos das meninas, pagar o imposto de renda, o INSS para o pessoal da coleta. E o nosso espaço também mudou, antes era somente o esqueleto, não tinha um local para a gente. Agora temos uma cozinha, banheiro e até um muro de proteção”, detalha.

O CRV funciona em um terreno cedido pelo GDF que, além da estrutura, paga algumas manutenções como as contas de água e luz. E o salário que recebe hoje é o que garante o sustento dos filhos e netos. “Lá no início, chegamos a receber R$ 30 no mês. Hoje, retiro daqui o sustento da minha família, pago meu aluguel, mantenho três filhos e uma neta. Gosto de trabalhar aqui com o lixo, é ele que me mantém”, destaca Ana Carla.

Contratos do SLU

Os valores aportados são divididos entre os contratos da coleta seletiva, que envolvem o recolhimento porta a porta e o transporte dos resíduos; os contratos de triagem, com a separação e enfardamento dos materiais e, por fim, o arrecadado com a venda do lixo coletado. O SLU ainda faz o pagamento da estrutura e dos equipamentos utilizados pelas cooperativas, como aluguel dos espaços, maquinário, contas de água e luz, e funcionários administrativos.

Para o chefe da Unidade de Sustentabilidade e Mobilização Social do SLU, Francisco Antonio Mendes, o cenário de cuidados, aportes e benefícios existentes hoje no DF não é visto em nenhuma outra unidade da Federação. “Não existe no país um cenário com tantos investimentos para os catadores de materiais recicláveis. Estamos cumprindo a lei de inclusão social, trazendo cidadania, dignidade e incluindo esses profissionais dentro das leis trabalhistas e de saúde”, destaca. “A grande maioria já paga INSS e, alguns, já até se aposentaram, saíram de um cenário de perigo e de informalidade,” completa o gestor.

“Levamos as necessidades e pautas dos catadores para as pastas do GDF. Lembramos que a maioria desses profissionais saiu do Lixão da Estrutural, passou por uma grande mudança de vida. É uma pauta extremamente importante para o governo, estamos atentos aos profissionais e existe também uma preocupação ambiental”

Fabiana Ferreira, presidente do CIISC

Só com a receita da comercialização dos materiais foi gerado um valor de R$ 27 milhões, fruto das 39 mil toneladas de descartes recuperadas no primeiro trimestre de 2024. “Todo esse trabalho dos profissionais se reverte também na longevidade do aterro sanitário, pois temos um ganho ambiental, evitamos que toda essa massa seja exposta na natureza. Elas viram matéria-prima e todos ganham: os catadores, o governo e a sociedade”, completa Mendes.

Está em andamento no SLU um novo chamamento público para a contratação de novas cooperativas e associações de catadores para a prestação de serviços de manejo de resíduos urbanos recicláveis, compreendendo as modalidades de triagem, catação, classificação, processamento, prensagem, enfardamento, armazenamento e comercialização.

Integração com o governo

Dentro do GDF, os catadores e catadoras ainda contam com um importante espaço para a construção e implementação de políticas públicas. O Comitê Intersetorial de Inclusão Socioeconômica dos Catadores de Materiais Recicláveis do DF (CIISC) é um setor ligado à Secretaria de Relações Institucionais e funciona como um conselho de escuta e intermediação entre os profissionais e o governo.

“Levamos as necessidades e pautas dos catadores para as pastas do GDF. Lembramos que a maioria desses profissionais saiu do Lixão da Estrutural, passou por uma grande mudança de vida. É uma pauta extremamente importante para o governo, estamos atentos aos profissionais e existe também uma preocupação ambiental”, destaca a presidente do CIISC, Fabiana Ferreira.

Ela acentua ainda que 90% das catadoras são mulheres que estão sustentando as famílias com o trabalho na catação. E dentro desse cenário de cuidados estão também os benefícios sociais do GDF, muitos deles inseridos nos programas de auxílio. A cooperada Gilvanice dos Santos, 45 anos, atualmente é beneficiária dos cartões Prato Cheio, Material Escolar e Vale Gás. Ela afirma que as rendas complementares auxiliam nos cuidados com a família. “O que recebo do meu salário aqui na cooperativa e os benefícios me ajudam muito, é minha salvação. Com o dinheiro daqui consigo pagar minhas contas e comprar arroz e feijão, os cartões me garantem uma mistura, uns materiais escolares melhores para os meninos, e assim vamos vivendo”, conta.

O GDF mantém ainda o Complexo Integrado de Reciclagem (CIR-DF), uma área de 80 mil m² que abriga cooperativas e gera emprego para mais de 500 catadores – número flutuante, tendo em vista a rotatividade dos postos de trabalho. A gestão é compartilhada entre o SLU, a Secretaria do Meio Ambiente e Proteção Animal (Sema), a Central de Cooperativas de Catadores de Materiais Recicláveis do DF (Centcoop) e as associações de catadores que atuam na região.

Tribuna Livre, com informações do Governo do Distrito Federal (GDF)

Deixe um comentário

Leia também
Marcinho: Uma Liderança que Faz História na Política de Santa Maria
Marcinho: Uma Liderança que Faz História na Política de Santa Maria
12)
Trânsito da Esplanada e Arapoanga será alterado neste domingo (21/12)
MP pede que DF regularize repasses ao Hospital da Criança
MP pede que DF regularize repasses ao Hospital da Criança
Árvore de grande porte cai em estacionamento do Dnit, na Asa Norte
Árvore de grande porte cai em estacionamento do Dnit, na Asa Norte
Quadrilha suspeita de golpe em idosos é alvo de 14 mandados da polícia
Quadrilha suspeita de golpe em idosos é alvo de 14 mandados da polícia.
Desavença por drogas e vingança cercam caso de triplo homicídio no DF
Desavença por drogas e vingança cercam caso de triplo homicídio no DF
Homicídios no DF recuam pelo quinto ano seguido, aponta estudo do MP
Homicídios no DF recuam pelo quinto ano seguido, aponta estudo do MP
Estudantes universitários que atuaram na COP 30 denunciam calote
Estudantes universitários que atuaram na COP 30 denunciam calote
Detran-DF implementa novas medidas para obtenção da CNH
Detran-DF implementa novas medidas para obtenção da CNH
Idosa é atropelada por moto e levada inconsciente ao hospital
Idosa é atropelada por moto e levada inconsciente ao hospital
Criança de 9 anos é atropelada em Ceilândia
Criança de 9 anos é atropelada em Ceilândia
Suspeita de invasão de propriedade é investigada no Paranoá
Suspeita de invasão de propriedade é investigada no Paranoá

Vice-líder do governo alvo da PF; nº 2 da Previdência é preso

Agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra senador Weverton Rocha. Na mesma operação, secretário-executivo do ministério é detido e demitido. Investigação atinge empresária amiga de filho do presidente Lula A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou, nesta quinta-feira, a nona fase da Operação Sem

Leia mais...

PM registra furto de cabos de usina solar, em Jaraguá

Criminosos levaram todo o cabeamento da empresa A Polícia Militar (PM) em Jaraguá registrou, nesta semana, um furto em usina solar, localizada em uma propriedade rural do município, conhecida como Fazenda Prainha, nas proximidades do trevo da BR-153 com a GO-080. Os criminosos levaram todo o cabeamento da empresa, como

Leia mais...

Árvore de grande porte cai em estacionamento do Dnit, na Asa Norte

A queda interrompeu a passagem de veículos até que militares conseguissem cortá-la para desobstruir a via. Não houve vítimas Uma árvore de grande porte caiu no estacionamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), localizado na Asa Norte, na manhã desta quinta-feira (18/12). Segundo informações do Corpo de Bombeiros

Leia mais...

A sua privacidade é importante para o Tribuna Livre Brasil. Nossa política de privacidade visa garantir a transparência e segurança no tratamento de seus dados pessoais.