FOLHAPRESS
A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirma ter identificado um dos dois homens envolvidos diretamente no ataque ao tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, 39, no sábado (27).
Pimentel, que está internado em estado grave no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, foi baleado na cabeça. Ele estava parado em um semáforo na avenida Goiás, a principal via de São Caetano do Sul, cidade do ABC, quando foi surpreendido por dois homens em outra motocicleta. Um deles é o que teria sido identificado não foi informado se seria o suposto atirador ou o condutor da moto, que foi abandonada a cerca de 5 km do ponto do disparo.
Segundo a investigação, além dos dois homens na motocicleta, um terceiro suspeito ficou responsável pela condução de um Renault Logan, que teria dado suporte operacional direto ao ataque. Esse veículo teria sido usado em um monitoramento mais específico da rotina de Pimentel, conforme relatório da Prefeitura de São Caetano do Sul através do Smart Sanca, sistema de câmeras municipal.
Outros dois carros foram identificados após análise de câmeras de segurança, totalizando ao menos cinco pessoas envolvidas. Duas delas estão presas por envolvimento indireto no caso.
Ronickson é irmão mais velho de Eloá Pimentel, morta aos 15 anos por Lindemberg Alves na casa em que ela morava em Santo André, também no ABC paulista, em outubro de 2008.
Documento obtido pela Folha de S.Paulo indica que o crime foi planejado, com estudo prévio de horários e locais.
“A dinâmica dos fatos indica, ainda, que não se trata de ação delitiva comum, mas de investida coordenada direcionada contra agente policial, com sinais evidentes de planejamento prévio, divisão de tarefas, utilização de veículos de apoio e estratégias de evasão e ocultação de vestígios, o que evidencia elevado grau de organização e periculosidade”, diz trecho do documento.
De acordo com a Prefeitura de São Caetano do Sul, a placa do Renault Logan branco teve uma primeira identificação pelo sistema de monitoramento da cidade em 14 de fevereiro, com diversas outras passagens ao longo dos meses seguintes. A última ocorreu em 22 de maio, cerca de um mês antes do ataque.
Segundo o documento, o veículo teve como destinos pontos próximos os frequentandos pelo policial, como a academia e a residência dele.
“A recorrência dessas passagens, associada à escolha de locais diretamente vinculados à rotina da vítima, sugere a existência de possível atividade de vigilância prévia, hipótese que deverá ser apreciada no contexto das demais provas produzidas durante a investigação”, diz trecho do documento obtido pela reportagem.
Uma foto mostra que o veículo passou pelo local onde Pimentel foi baleado instantes depois ao ataque.
O policial ainda estava caído no chão, recebendo auxílio de testemunhas, quando o carro em questão transitou por uma faixa ao lado, em meio a outros automóveis.