Quando ergueu o troféu de campeão juvenil de Roland Garros, neste sábado (6), em Paris, Guto Miguel escreveu seu nome na história do tênis brasileiro. Mas parte importante dessa trajetória vitoriosa foi construída longe das quadras francesas. Aos 13 anos, o jovem deixou Goiânia para morar e treinar em Brasília, cidade que se transformou em sua casa e no principal palco de seu desenvolvimento esportivo.
Aos 17 anos, o tenista conquistou um feito inédito para o Brasil ao vencer a chave masculina de simples juvenil do Grand Slam francês. Além do título histórico, a campanha garantiu ao atleta a liderança do ranking mundial juvenil, consolidando-o como uma das maiores promessas do tênis internacional.
Nascido em fevereiro de 2009, Luís Augusto Queiroz Miguel, o Guto, começou a chamar atenção ainda muito jovem nas competições de base.
De Brasília para o topo do mundo
Nos últimos anos, os resultados começaram a aparecer de forma consistente. Guto conquistou títulos importantes no circuito juvenil, venceu torneios na Bélgica, Canadá, Colômbia e México, disputou os quatro Grand Slams da categoria e alcançou a semifinal do US Open juvenil em 2025.
O desempenho também permitiu que o brasileiro começasse a disputar torneios profissionais da Federação Internacional de Tênis (ITF), somando seus primeiros pontos no ranking da ATP. A evolução constante o transformou em um dos principais nomes da nova geração do tênis brasileiro.
Em fevereiro deste ano, durante participação no Rio Open, Guto revelou que tinha um objetivo claro para a temporada: conquistar Roland Garros. O sonho parecia ousado, mas foi exatamente o que aconteceu poucos meses depois.
Feito inédito para o tênis brasileiro
Na campanha do título em Paris, o brasileiro superou adversários importantes até chegar à decisão contra o norte-americano Michael Antonius. Na final, venceu por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/4.
O resultado encerrou uma espera de 59 anos para o tênis nacional. Antes dele, apenas Edison Mandarino, Thomaz Koch e Luís Felipe Tavares haviam alcançado a decisão do torneio juvenil de Roland Garros, todos terminando com o vice-campeonato.
Nem mesmo Gustavo Kuerten, tricampeão do Grand Slam francês na categoria profissional, conquistou o torneio juvenil de simples. Guga foi campeão apenas nas duplas, em 1994.
Homenagem
Após a conquista, Guto protagonizou um dos momentos mais marcantes da cerimônia de premiação. Durante o discurso, dedicou o título ao técnico Kike Grangeiro, que perdeu o irmão há cerca de duas semanas.
O gesto emocionou o treinador, que acompanhava a cerimônia da arquibancada e não conseguiu conter as lágrimas.
“Quero dedicar esse título ao meu coach Kike. Ele passou por um momento muito difícil recentemente e esteve comigo todos esses dias. Esse título também é dele”, afirmou o brasileiro.